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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Líderes da Câmara já estão de olho em ‘pauta pós-crise’

Gustavo Zucchi

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Assim como faz o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ), lideranças da Câmara também avaliam que haverá o momento de retomar a pauta “normal” do Legislativo. Mais do que isso, defendem que já nas próximas semanas deverá haver o início das discussões do que deverá ser a pauta “pós-crise”. Querem evitar, assim, a “paralisação” ocorrida no início do estado de calamidade, quando uma falta de agenda econômica do governo atrasou as medidas emergenciais necessárias.

Sessão virtual da Câmara dos Deputados

Sessão virtual da Câmara dos Deputados Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Lembram, por exemplo, que o ministro da Economia, Paulo Guedes, pediu apenas R$ 5 bilhões, afirmando ser o suficiente para combater o coronavírus. Algo que se mostrou totalmente descolado da realidade com o avanço da pandemia.

“Eu percebo que a agenda do pós-crise terá de passar pelo controle de gastos e tem pautas que visam o crescimento de crescimento rápido. Ou seja, medidas que possam favorecer o crescimento do país”, afirmou ao BRP o líder do DEM na Câmara, Efraim Filho (DEM-PB).

A reforma tributária se encaixaria nas medidas de crescimento. Assim como outros líderes, Efraim acredita que certos pontos sairão da discussão. “A reforma tributária talvez volte em outra perspectiva. Ninguém vai ter mais condição de falar em redução de carga, de alíquota. O Brasil perdeu arrecadação. Então esquece. Mas temos um processo tão complexo, que se falarmos em desburocratização de procedimentos, mudanças de modelos já é ganho extraordinário”, disse.

Outras pautas perderam força de vez. E mesmo bem encaminhadas podem ficar escanteadas no pós-crise. A principal delas talvez seja a discussão da PEC que estabelece a prisão após segunda instância. O relator Fábio Trad (PSD-MS) já tem pronto o texto, que conta com a benção do presidente da comissão especial, Marcelo Ramos (PL-AM). A discussão está em stand by, já a oposição pede que a proposta polêmica seja lapidada em sessão presencial. Só que a PEC perdeu seu principal defensor no governo, o então ministro Sérgio Moro. Sem a pressão advinda dele, não há perspectiva de que a PEC seja priorizada.