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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Líderes de siglas ‘novas’ criticam coleta digital de assinatura

Equipe BR Político

Enquanto a Aliança pelo Brasil sonha que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aceite a validação pelo sistema biométrico das cerca de 492 mil assinaturas exigidas para registro oficial da sigla, líderes de alguns dos mais recentes partidos criados no Brasil criticam a possibilidade. Algumas dessas siglas demoraram até cinco anos para obter registro. O principal benefício no método defendido pelos bolsonaristas é a celeridade na criação do partido, informou o Estadão.

Para o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), adotar a coleta digital nesse momento seria “casuísmo”. “A tradição do TSE é só aceitar assinaturas físicas. Seria incoerente mudar isso em favor do presidente”, afirmou o parlamentar. O processo de criação da Rede começou em 2013, mas só foi concluído em 2015.

Além da obrigação de coletar e homologar quase meio milhão de assinaturas, os novos partidos também precisam criar diretórios em ao menos nove Estados. O deputado estadual Daniel José (Novo-SP) também chama de “casuísmo” a tentativa de mudar a regra em função da demanda do presidente da República. “Acho estranho o Bolsonaro dizer que terá facilidade na coleta digital porque ela custaria caro: cerca de R$ 100 para o token ou pen drive que servem para registrar o CPF”, afirmou o parlamentar.

Em 2013, o deputado federal Paulinho da Força (SP) demorou oito meses para registrar o Solidariedade. “Todos nós passamos por isso de coletar a assinatura física. A assinatura digital não está na lei e pode ser contestada. Não se pode interpretar a lei de outra forma por ser o partido de alguém com um cargo privilegiado”, afirmou o parlamentar.