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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Lula com os católicos, Bolsonaro com os evangélicos?

Gustavo Zucchi

Na eterna campanha eleitoral que marca a política brasileira, petistas e bolsonaristas parecem dispostos não apenas a não descer do palanque, mas dos altares também. Se a imagem do ex-presidente Lula com o papa Francisco rodou o mundo e causou polêmica na direita brasileira, o presidente Jair Bolsonaro tira grandes espaços na sua agenda para manter perto de si o público evangélico.

No último final de semana, por exemplo, o presidente participou de um encontro de jovens evangélicos no Estádio Mané Garrincha, em Brasília. Neste sábado, 15, estará presente em um megaevento da Igreja Internacional da Graça de Deus, do pastor R.R Soares, no Rio de Janeiro. Apesar de se professar católico, chegou a ser batizado pelo pastor Everaldo, dirigente do PSC, no Rio Jordão, em Israel.

Lula, por sua vez, intensificou a necessidade do PT conversar com evangélicos. Foi um dos primeiros movimentos que o petista fez logo após deixar a prisão. Com os católicos, há uma ala mais conservadora que se alinha com o bolsonarismo, mas a entrada dos petistas entre os fiéis é considerável. O próprio partido teve como um dos alicerces de sua fundação as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), comunidades ligadas ao catolicismo. Na eleição passada, a imagem de Fernando Haddad e sua candidata a vice, Manuela D’Ávila, em uma missa, ainda é utilizada como provocação, apesar de o ex-prefeito de São Paulo ser neto de padre da Igreja Ortodoxa. Lula, por sua vez, esteve com três papas: João Paulo II, Bento XVI e agora com Francisco, e tem como aliadas as alas ligadas à Teologia da Libertação, presentes em paróquias e seminários.