Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

‘Maia não é dono do Congresso nem da Câmara’, diz Ciro Nogueira

Alexandra Martins

O presidente nacional do PP, senador Ciro Nogueira (PI), não pode ouvir falar da possibilidade discutida por Rodrigo Maia de implantar voto virtual para eleger o próximo presidente da Câmara. Seu candidato, Arthur Lira (AL), prefere o corpo a corpo e teme traições e fraudes no formato remoto. Em entrevista ao BRP, o expoente do centrão no Senado afirma que o adversário na disputa não tem respaldo da Mesa Diretora para não cumprir o Regimento Interno da Casa, que prevê voto presencial.

Na conversa, Nogueira também adianta que o PP vai estar com o presidente Jair Bolsonaro na eleição de 2022, que é preciso definir já as fontes para levar adiante a prorrogação do auxílio emergencial, que só tem culpado na batalha do Brasil em busca de uma vacina contra a a covid-19 e que se a eleição estadual no Piauí fosse hoje, ele teria de sair candidato a governador porque tem 70% das intenções de voto. Mas diz que, mesmo assim, está buscando um candidato para preencher a vaga porque o Piauí precisa dele em Brasília.

Ciro Nogueira (centro) no lançamento da candidatura de Arthur Lira (esq.) para presidente da Câmara. Foto: José Jance/Ascom Progressistas

BRP – Acredita ser possível que a votação para presidente da Câmara seja presencial, enquanto Rodrigo Maia pensa em fazê-la de forma remota?

Ciro Nogueira – Essa é uma discussão absurda que o (Rodrigo) Maia está querendo trazer. Para que isso? Não tem justificativa, não tem amparo no Regimento, ele não é dono do Congresso, nem da Câmara. Ele não tem respaldo da Mesa Diretora para aprovar isso. Podíamos estar já com as regras todas claras, respeitando o Regimento, mas estamos criando essa celeuma. E acho até um absurdo em respeito à população, uma vez que levamos milhões de brasileiros para votar nas eleições municipais. Mas a Câmara, que tem estrutura toda sofisticada, de conforto, está com essa discussão, pelo amor de Deus. Vai ser presencial, Maia não tem autonomia nem autoridade para isso.

Com a covid disparando no País, Maia poderia usar esse argumento de que é mais seguro fazer de forma remota.

Ele não tem argumento. Pelo amor de Deus, agora só falta ele querer prorrogar o mandato dele. São 500 pessoas que vão votar. Tem como ser feita de uma forma bem segura. Não é justificativa.

Com o Brasil, em tese, quebrado, segundo o presidente Jair Bolsonaro, o senhor vê espaço para negociar a prorrogação do auxílio emergencial na próxima legislatura?

Temos de buscar as fontes. O Congresso, nesses últimos dois meses, ficou completamente paralisado por conta de reeleição dos presidentes da Câmara e Senado. Era uma discussão que poderia ter havido (da prorrogação). O problema não é a necessidade, pois todo mundo sabe da necessidade de se prorrogar o auxílio emergencial. O problema é a fonte. E a gente poderia ter buscado a fonte, de tirar das camadas mais ricas, de empresas que estão sem pagar impostos no nosso País, mas tem muito interesse dessas pessoas de não trazer essa discussão. E a gente ficou discutindo reeleição da Câmara e Senado num momento que podíamos estar discutindo isso.

Lógico que vou defender o mais rápido possível (a prorrogação). Não é só pagar o auxilio emergencial irresponsavelmente, é buscar as fontes que possam pagar isso. E só pode ter fonte tirando de quem pode pagar, das camadas mais ricas e dessas empresas que estão sem pagar imposto no nosso País.

Como vê a batalha no Brasil pela vacinação contra a covid-19?

Sabe aquela situação em que todo mundo está errado, inclusive nós do Congresso? É isso. Nós devíamos ter discutido isso, criado os mecanismos. Essa questão de demora da Anvisa é um absurdo. Tinha que ter aprovado essas vacinas que estão sendo aprovadas no mundo. Ao mesmo tempo, as próprias empresas estão demorando a pedir os registros. É uma situação que todo mundo está errado, inclusive o Congresso, e eu me incluo nisso. Não tem santo nessa história. Agora tentam politizar e jogar a culpa no presidente. Tem governador querendo tirar onda aí. Eu vejo todo dia o governador do meu Estado (Wellington Dias, do PT) indo a Brasília, dizendo que está discutindo vacinação, só para tirar foco dos problemas dele. Não vi nenhum governador negociando compra de vacina. Tirando o João Doria, ninguém fez. Não vi santo nessa história, inclusive eu, não estou tirando a minha culpa disso não. O Congresso como um todo… é o tipo da situação que só tem culpado.

O Progressistas vai estar com Bolsonaro em 2022?

O Progressistas tem um histórico, você pode acompanhar desde os governos FHC, Lula ou Dilma, de quando o País está se desenvolvendo, de ficar até o final (com o governo). Um exemplo claro foi a eleição da Dilma. Agora nós temos muito mais identificação com o projeto do presidente do que nós tínhamos com a Dilma. Hoje eu tenho 99% da minha bancada votando a favor do governo. Eu também não sou dono do partido, mas pelo histórico do meu partido, é impossível nós chegarmos em 2022 e não estarmos com Bolsonaro. Não tem justificativa. Nós não temos como explicar isso para o eleitorado. É logico que não sou eu que decido, mas tenho uma força muito grande, não vou negar. E hoje nós temos uma sintonia. Eu não conheço nenhum parlamentar do Progressistas que não defenda isso. Nós tivemos um sucesso muito grande agora nas eleições municipais, e isso foi muito fruto dessa aliança com o presidente, tanto para ele quanto para gente, e acho que é uma coisa que está consolidada. Nós estaremos com ele em 2022.

A ver como estarão a economia e o desemprego daqui a dois anos.

Eu costumo dizer que quem elege presidente é a economia. Para o presidente perder a eleição em 2022 vai ter que quebrar um paradigma: nós nunca deixamos de eleger um presidente. Esse que é o desespero de muita gente. Acho muito difícil a economia não ter um retomada. Nós nunca tivemos um Congresso tão reformista como o de agora. Se aprovarmos as reformas administrativa e tributária, o País vai retomar a confiança e, assim, vai ter crescimento do Bolsonaro para ser reeleito com muita facilidade, até porque não tem adversário.

Quem será o candidato do senhor para o governo no Piaui em 2022?

Hoje eu tenho mais de 70% de intenção de votos, nenhum outro passa de 10%. Agora, não vou negar para você que estou procurando um outro candidato porque, para mim, agora voltar para lá, com a influência que eu tenho no País, de levar recursos para o Piauí, não sei se é bom para o Estado. Então o ideal é eu ter um candidato. Não vou negar que a população não está aceitando muito esse meu argumento, não. Se a eleição fosse hoje, eu teria que ser candidato porque seria o único nome para tirar o esquema do PT do poder.

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