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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Maia pode deixar decisão sobre impeachment para o sucessor

Vera Magalhães

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O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), reiterou seguidas vezes no Roda Viva de segunda-feira, 3, que não vai decidir — nem para abrir, nem para arquivar — sobre os mais de 50 pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro que estão sobre sua mesa. Segundo sua lógica, não há evidência de crime de responsabilidade por parte do presidente, de quem apontou “erros” e excessos. Por outro lado, também não seria o caso de arquivar os pedidos, já que isso suscitaria recursos que levariam o assunto invariavelmente ao plenário, paralisando os trabalhos da Câmara para discutir esse assunto.

Rodrigo Maia no Roda Viva. Foto: Reprodução/Youtube

Existe apreensão nas hostes bolsonaristas com a possibilidade de Maia, de carona na já anunciada disposição do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), tentar um novo mandato (o quarto, contando com aquele em que substituiu Eduardo Cunha) e, no final do mandato de Bolsonaro, colocar o impeachment para andar.

Com a possibilidade de que os pedidos fiquem para o sucessor do democrata, ganha ainda mais importância a sua sucessão. Ele assegurou, na entrevista, que não disputará novo mandato. Disse defender a alternância de poder e afirmou que, se Alcolumbre quiser tentar mudar a Constituição para poder se reeleger, terá de fazer um voo solo. A conferir.

Na seara econômica, Maia se mostrou ora afinado com Paulo Guedes, como na defesa da manutenção da pauta de reformas e da regra do teto de gastos federais, ora dissociado do ministro, como quando repetiu não ver espaço para um imposto similar à CPMF, que, a seu ver, elevaria a carga tributária e levaria a uma “desintermediação” do sistema bancário, com as pessoas passando a estocar dinheiro em espécie para fazer pagamentos.

Maia foi propositalmente vago a respeito de quem apoiará para sucedê-lo. Evitou colocar água no moinho de algum postulante e elencou até nomes sem nenhuma viabilidade. Para muitos, é uma estratégia típica de quem, lá na frente, pode resolver ser candidato de novo, sob a alegação de que era o único nome capaz de “unir” os deputados.

Ele fez críticas à política ambiental do governo, que chamou de “suicida”, mas evitou defender o afastamento do ministro Ricardo Salles, como fez anteriormente, por exemplo, com Abraham Weintraub na Educação. Disse que a definição de uma política que valorize a “floresta em pé” é pré-requisito para o Brasil conseguir retomar a atração de investimentos no pós-pandemia, juntamente com a retomada da política de contenção de gastos públicos.

O presidente da Câmara reconhece que haverá demanda por investimentos públicos e mais gastos sociais depois da crise gerada pelo novo coronavírus, mas afirmou que expandir o gasto indefinidamente, elevando a dívida pública e desistindo do ajuste fiscal seria o “caminho mais fácil”, mas não o melhor.

 

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