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por Marcelo de Moraes

Maioria de bolsonaristas moderados está arrependida do voto

Alexandra Martins

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A maioria dos eleitores moderados do presidente Jair Bolsonaro das classes C e D está arrependida de seu voto. É o que constata hoje a socióloga Esther Solano em pesquisas qualitativas que realiza com esse perfil de eleitor desde 2016 para a Fundação Tide Setubal, com a cientista política Camila Rocha. A amostra é composta daqueles que não são radicalmente apoiadores do presidente, “que é a grande maioria de seu eleitorado”, diz, e das classes C e D, que é a grande maioria da população.

Um dos três motivos mais marcantes dessa mudança de comportamento é a postura agressiva de Bolsonaro. Se na época de pré-campanha essa característica verborrágica era vista como adequada, em razão das contingências da disputa, sendo inclusive tratada como qualidade de um candidato honesto, sincero e honrado, hoje é vista como um problema. “Já durante o governo, as pessoas reclamam de que ele continua sendo muito violento e agressivo. Para esse público, o presidente deveria ser mais cauteloso e moderado”, afirma Solano.

O segundo seria uma inabilidade para governar expressa, especialmente, em redes sociais. “Eles reclamam muito de que ele estaria todos os dias nas redes sociais, provocando problemas, que ele deveria focar, trabalhar, ser muito mais sensato. Surge muito essa ideia de que o Brasil já passou por muita instabilidade e que ele agora, em vez de dar uma estabilidade maior para o País, está gerando mais instabilidade ainda”, acrescenta.

Por último está a discordância desses bolsonaristas moderados das classes C e D com as reformas trabalhista e previdenciária. “Já pegamos vários depoimentos de pessoas que votaram no Bolsonaro falando: ‘Eu votei nele, mas agora vejo que ele é antipovo, que as reformas são antitrabalhador’”, destaca. A pesquisadora cita como relevante o temor da amostra com o desemprego, a precarização do trabalho, terceirizações e até com a agenda privatista da equipe econômica do governo, principalmente com a sobrevivência do SUS.

Por outro lado, Bolsonaro é bem avaliado por seu discurso de combate à corrupção e de luta por valores morais, culturais e religiosos. “Uma coisa que se valoriza bastante é essa ideia punitivista, de que para acabar com os problemas da violência tem que ter mais polícia na rua, mais mão dura. Esse populismo penal, digamos assim, aparece bastante nas conversas”, diz.

Solano pondera que essa curva de arrependimento está diretamente associada à classe social pesquisada. “Se você vir as pesquisas, a parcela de arrependidos entre pobres é sempre maior que da classe média e classe média alta. O que eu posso te falar é que nós não procuramos por arrependidos. Procuramos por votantes moderados do Bolsonaro, mas quase todo mundo que a gente conseguiu entrevistar é de arrependidos”, reforça.

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