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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Maioria defende tributária como prioridade

Equipe BR Político

Enquanto governo e Congresso ajustam os ponteiros sobre qual reforma é de fato prioritária para tramitar a oito meses das eleições municipais, em que pese a indicação do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), de que as mudanças tributária e administrativa serão debatidas concomitantemente, a população tem sua preferência no momento. Para 57% dos entrevistados em pesquisa realizada pela consultoria Ideia Big Data entre os dias 4 e 6, a reforma tributária deve ser priorizada em relação à administrativa, cujo apoio é de 23%, para simplificar e reduzir os tributos.

A julgar pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro na abertura do ano legislativo, de ênfase maior à tributária, somado ao fato de que a administrativa acaba de ser maculada após o ministro Paulo Guedes comparar o funcionalismo público a parasitas, a tributária tende a ganhar mais tração no Legislativo, ainda que lenta. Um impulso recente veio de Maia, propagando o discurso de que haverá taxação mais justa entre pobres e ricos, o que pode fazer com que o centro e a oposição estejam no mesmo lado. Outro, veio do próprio relator da tributária na Câmara, o deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), dizendo estar também sensibilizado com o compromisso de justiça. No sábado, 8, o secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou ao Estadão que a tributária é “a que tem mais impacto em termos de PIB nacional”.

No cenário em que o governo não agiliza a defesa do seu próprio texto a ser debatido, 37% dos entrevistados acreditam que o Palácio do Planalto deveria pegar carona nas propostas hoje em debate pela Câmara e Senado, como a criação de um imposto único, o IVA, enquanto 31% são favoráveis à espera do texto do governo. Ocorre que nesse bonde de dois vagões tampouco há consenso entre eles. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) questionou na semana que passou: “Afinal de contas, qual é a reforma tributária (do governo)?”, juntando-se a líderes do Amazonas desconfiados de que deputados queiram tomar a dianteira.

Assim como não há consenso entre a equipe econômica do governo e o Congresso sobre a privatização da Eletrobrás, fatias quase iguais dos entrevistados expõem divisão. Para 37%, ela deve ocorrer. Já 38% se dizem contra a venda da estatal que hoje serve de capital político especialmente a parlamentares do Nordeste, os mais resistentes nessa negociação.