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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mais de 7 milhões que podem receber renda emergencial não têm internet

Equipe BR Político

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Cerca de 7,4 milhões das pessoas elegíveis a receber a renda básica emergencial, direcionada a pessoas e famílias em situação de vulnerabilidade econômica no período da pandemia, vivem em domicílios que não têm acesso à internet, de acordo com dados do IBGE. Apesar disso, a principal forma de inscrição para receber a ajuda fornecida pela Caixa Econômica Federal é por um aplicativo que demanda acesso à internet. De acordo com um estudo da Rede de Pesquisa Solidária, ao focar em uma estratégia “100% tecnológica”, a Caixa dificultou o acesso ao auxílio a uma parcela importante da população.

De acordo com estudo da Rede de Pesquisa Solidária, a Caixa dificultou o acesso ao auxílio de parcela importante da população

De acordo com estudo da Rede de Pesquisa Solidária, a Caixa dificultou o acesso ao auxílio de parcela importante da população Foto: Wilton Júnior/Estadão

“Longas filas e aglomerações aumentaram a exposição ao risco de contágio à covid-19 dessa população”, complementa o documento feito por pesquisadores do Centro de Estudos da Metrópole da USP e dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão da Fapesp. Segundo a pesquisa que analisou a aplicação do benefício, seria necessária a criação de uma estratégia para auxiliar os que não têm internet. Uma das sugestões é a articulação com governadores e prefeitos para o uso do Sistema Único de Assistência Social e seus 8.357 Centros de Referência de Assistência Social para atuação na inscrição e atualização do CadÚnico, regularização de CPF e deslocamento de funcionários para atender cidadãos que vivem em áreas isoladas com as chamadas “equipes volante”.

Em diversos municípios do País, desde a aprovação da renda básica emergencial, as agências da Caixa e da Receita Federal têm registrado filas de pessoas que chegam a virar noites e aglomerações na parte de fora das agências.