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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Manchas de óleo destroem o ambiente há mais de 1 mês

Equipe BR Político

Uma mancha de óleo gosmenta de origem desconhecida tem chegado às praias do Nordeste desde o dia 2 de setembro – em 132 pontos que reúnem 9 Estados e 68 cidades – e o que se sabe até o momento, segundo o governo federal, é que mais de 100 toneladas de borra do petróleo já foram recolhidas das areias da Região, que o material poluidor não foi produzido no Brasil, que a mancha se desloca em direção ao sul do País, que tartarugas (é época de desova) chegam à praia manchadas da gosma, que corais de praias de Alagoas foram atingidos, indicando ameaça à fauna e flora marinha.

Já sobre os responsáveis, há suspeitas. A Folha diz que, a partir de levantamento feito pela Petrobrás, o óleo pode ser venezuelano, o que não quer dizer muita coisa. Caso o óleo tenha sido vazado, é preciso localizar o contratante da embarcação e o proprietário da mesma, no mínimo. Como é um negócio que envolve mais de uma bandeira de país, as investigações de vazamentos no mar são lentas e inconclusivas. Se o conteúdo vazado é venezuelano ou cubano, faz pouca diferença em relação ao prejuízo ambiental e econômico que um desastre com petróleo e derivados causa.

“Não quero gerar um problema com outros países. (…) É um volume que não está sendo constante. Se fosse um navio que tivesse afundado, estaria saindo ainda óleo. Parece que criminosamente algo foi despejado lá”, disse o presidente Jair Bolsonaro nesta manhã de terça, 8, ao deixar o Palácio da Alvorada em direção ao Palácio do Planalto, informa o Broadcast Político.

Segundo o ministro Ricardo Salles (Meio Ambiente), o governo federal tem atuado contra o estrago ambiental desde as primeiras aparições do material pelas praias do Nordeste e que uma força-tarefa foi criada.

Em 2002, manchas parecidas às de agora, chamadas de chapapotes, surgiram nas costas espanhola, portuguesa e francesa após o petroleiro Prestige afundar na região da Galícia com 77 mil toneladas de petróleo. Tratou-se do maior desastre ambiental da história da navegação e um dos mais custosos, dada a dificuldade no processo de limpeza e o prejuízo à indústria pesqueira local. A investigação durou nove anos e não apontou um culpado – o capitão foi condenado a 9 meses de prisão, mas não cumpriu a pena.