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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mandetta: ‘História vai dizer quem estava certo e quem estava errado’

Equipe BR Político

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Quase um mês após ser demitido do governo, o ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta criticou, em entrevista à CNN americana, a postura do presidente Jair Bolsonaro frente à pandemia do novo coronavírus. Segundo o médico, a história vai dizer “quem estava certo e quem estava errado”, avaliou na quarta-feira, 13.

O ex-minsitro Luiz Henriqeu Mandetta em entrevista à CNN amercana

O ex-minsitro Luiz Henriqeu Mandetta em entrevista à CNN amercana Foto: Reprodução/CNN

Mandetta justificou ainda que “opiniões completamente diferentes” em relação ao modo de combater o coronavírus fizeram com que ele deixasse a pasta em meio à pandemia.

“Houve razões que levaram a esse ponto (demissão). Nós temos opiniões completamente diferentes sobre essa mesma situação e eu não conseguia lidar com ele dizendo para as pessoas voltarem ao trabalho, saírem por aí e não manterem o distanciamento social. Dizendo que era só uma ‘gripezinha’. Eu era ministro da Saúde e eu segui os especialistas, os governadores, os prefeitos, as pessoas das universidades e ao redor do mundo, dizendo para as pessoas ficarem em casa, cuidarem dos idosos. Nós estávamos claramente em lados opostos. Ele fez o que ele quis fazer, mas a história vai dizer quem estava certo e quem estava errado”, disse.

“Infelizmente, ele (Bolsonaro) é um dos poucos líderes que continua mantendo esse discurso de que a economia deve voltar a funcionar de qualquer forma, que a perda dos empregos será pior do que a epidemia, que ficar em casa traz mais problemas do que a doença em si. Essa é a mensagem que ele quer levar às pessoas. Trump pelo menos voltou atrás em sua posição de dizer que era simplesmente uma gripe”, disse Mandetta.

No mesmo dia em que o Brasil registrou 749 novas mortes nas últimas 24 horas e 11.385 novos infectados, o ex-ministro foi questionado sobre qual é o seu nível de preocupação, numa escala entre zero e 10, com a capacidade de o Brasil conseguir conter a disseminação da doença. A resposta de Mandetta foi “dez”.

“Os números falam por eles mesmos. Estamos subindo cada vez mais no número de mortos. Nesta semana ou na próxima, nós provavelmente vamos chegar a mil mortes diárias. Eu acho que o Brasil pode se tornar o país com um dos maiores números de casos no mundo”,  afirmou.