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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mandetta repete o mantra: não pede demissão

Vera Magalhães

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A criação de um comitê de gestão de crise do novo coronavírus sem o Ministério da Saúde foi mais uma demonstração de que Jair Bolsonaro pretende submeter o ministro da pasta, Luiz Henrique Mandetta, a sinais públicos de desprestígio diários como forma de forçá-lo a pedir demissão.

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Foto: Dida Sampaio/Estadão

Aliados do ministro, diante dos novos sinais de esgarçamento da relação entre o presidente e seu auxiliar, voltaram a medir a pressão de Mandetta. E ouviram o mesmo mantra de antes: ele não vai pedir demissão.

Bolsonaro terá de arcar com a responsabilidade de trocar o titular da Saúde, que é mais bem avaliado que ele próprio, em plena pandemia. Mesmo com a entrevista ao Fantástico, que o próprio ministro admitiu a interlocutores que pode ter sido um erro, ele mantém o discurso de que não vai abandonar o barco em meio ao caos.

Justifica a decisão de ter falado à Globo pelo fato de ter se sentido desautorizado por Bolsonaro no show que o presidente promoveu, na sua frente e na de Ronaldo Caiado, que é governador e também médico, em Águas Lindas de Goiás. O que era para ser uma vistoria a um hospital de campanha numa das localidades mais pobres do entorno de Brasília virou um festival de acenos e cumprimentos por parte de um Bolsonaro esfuziante e sem máscara.

Foi como reação a isso que ele decidiu falar com o programa, sem consultar nem mesmo sua equipe mais próxima.

Ainda que tenha fornecido elementos para Bolsonaro fritá-lo, ele segue irredutível na disposição de se manter no posto. Admite que, daqui para a frente, são grandes as chances de que seja excluído de reuniões e coletivas, mas ainda assim prefere ser demitido e pedir o boné.