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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mandetta sobre pandemia: ‘Estamos vivendo o primeiro terço disso’

Equipe BR Político

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Na avaliação do ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta, o Brasil passou por apenas 1/3 da crise do novo coronavírus. O médico aponta que devem haver pelos menos mais 12 semanas “duras” pela frente. Em entrevista à Folha, ele avalia que o Pará, atualmente, é o Estado em que a disseminação do novo coronavírus mais preocupa.

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta

O ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta Foto: Dida Sampaio/Estadão

“Disse uma vez que teríamos 20 semanas muito duras pela frente. Esses dois meses que passaram são 8 semanas. Para as outras 12, são mais 3 meses. Os primeiros casos que foram pegar a escala de transmissão aumentada e depois desorganizada ocorreram em abril, em Manaus e Fortaleza. Iríamos aumentar (a curva de disseminação])em abril, maio, junho. Em julho vamos estabilizar, quando deve ser o ápice da curva, e aí vai entrar em um platô para que, em agosto, comece a reduzir o número de casos e setembro a gente volte no ponto mais próximo de uma coisa mais amena. Estamos vivendo o primeiro terço disso, temos o segundo e o terceiro para concluir”, avaliou.

Mandetta falou ainda sobre a intenção do presidente Jair Bolsonaro de mudar o protocolo do SUS para o uso da hidroxicloroquina. Para o ex-ministro, a pressão de Bolsonaro sobre o tema é uma tentativa de estimular o retorno das pessoas ao trabalho.

“A ideia de dar a cloroquina, na cabeça da classe política do mundo, é que, se tiver um remédio, as pessoas voltam ao trabalho. É uma coisa para tranquilizar, para fazer voltar sem tanto peso na consciência. Se tivesse lógica de assistência, isso teria partido das sociedades de especialidades (não do presidente). Por isso não tem gente séria que defenda um medicamento agora como panaceia. O Donald Trump (presidente dos EUA) defendeu a cloroquina, mas voltou atrás e parou. Nos EUA, isso gera processo contra o Estado. Aqui no Brasil não, se morrer, morreu. Para mim foi isso que fez com que o Teich falasse: ‘Não vou assinar isso. Vai morrer gente e ficar na minha nota’”, diz.