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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Manifesto defende democracia da elite brasileira, rebate Lula

Equipe BR Político

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O ex-presidente Lula foi questionado nesta quinta, 4, pelo jornal Metrópoles, sobre a atual polêmica, que mobiliza o campo progressista, gerada pelo fato de o PT não ter assinado manifestos pró-democracia. No caso do “Juntos pela Democracia”, com assinatura de ao menos 130 entidades da sociedade civil, ele afirma primeiramente não ter sido procurado por seus mentores, mas em outro momento da entrevista ele fala que até pode ter sido procurado, mas que o contato não o alcançou. E mesmo que o tivesse alcançado, diz, que ele tivesse lido, não o assinaria. Para ele, a iniciativa do chamado “Estamos Juntos”, por exemplo, não passa da defesa da democracia da elite brasileira. Na justificativa para a inexistência de frentes populares no coletivo, Lula pede a compreensão para o fato, segundo ele, de que quem governa hoje o País é o ministro Paulo Guedes, enquanto o presidente Jair Bolsonaro é o bobo da corte.

“No caso desse manifesto (Juntos), eu não fui procurado. Eu li o manifesto, mas percebi que ele não falava do Bolsonaro e não falava do impeachment. Nem falava de política econômica. Falava de maneira muito genérica de defesa da democracia. Eu reconheço que tem gente maravilhosa que assinou esse manifesto. O que acho engraçado é que ganhou mais importância o manifesto por eu não tê-lo assinado do que se eu tivesse assinado”, disse na conversa.

A crítica ao “Estamos Juntos” veio após citar na entrevista a adesão da socióloga e acionista do Itaú Maria Alice Setúbal. “É a defesa de democracia da elite brasileira, em que eles continuam podendo tudo e o povo não pode nada, porque nenhum deles fala em impeachment do Bolsonaro. As pessoas precisam compreender que o Bolsonaro é o bobo da corte. Quem governa e faz as coisas é o (ministro Paulo) Guedes. Ele é quem tem dado as regras, é quem vende as empresas, é quem corta salários e corta direitos”, defendeu.

Nele estão a atriz Fernanda Montenegro, o YouTuber e empresário Felipe Neto, o escritor Paulo Coelho, o apresentador Serginho Groisman, o produtor Kondzilla, Maria Alice Setúbal, o ex-presidente do STF Nelson Jobim e vários outros nomes conhecidos. Do campo político, também o endossam o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT), o apresentador Luciano Huck, o governador Flávio Dino (PC do B-MA) e o ex-governador do Espírito Santo Paulo Hartung (MDB).

O ex-presidente prefere a via eleitoral para a escolha do próximo candidato presidencial, ainda que o PT tenha entrado com pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro, com outros sete partidos, na Câmara dos Deputados. “Eu quero tirar o Bolsonaro e fazer as eleições diretas para escolher um candidato a presidente e que seja eleito com um programa. E estou muito à vontade para fazer isso porque eu estou inelegível. Eu não quero ser candidato (a presidente da República). O que eu não quero é ser massa de manobra. É isso”, concluiu o assunto.

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