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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Manifesto pede retorno de exonerados da Casa de Rui Barbosa

Equipe BR Político

A Casa de Rui Barbosa, que abriga um dos mais importantes acervos culturais do País, sofreu uma baixa de pesquisadores com cargos de chefia recentemente que acendeu preocupações sobre eventual fechamento do local. Na internet, um manifesto contra a exoneração dos pesquisadores organizado por alunos e ex-alunos da instituição já foi assinado por quase 22 mil pessoas. 

“Repudiamos veementemente qualquer tentativa de desmonte do Centro de Pesquisas e do Centro de Memória e Informação através da destituição de seus chefes de setores, que são hoje, além de dedicados pesquisadores, profissionais de referência em suas áreas”, afirma um trecho do texto que pede a volta dos pesquisadores exonerados a seus antigos cargos. De acordo com o manifesto, os afastamentos geram “enfraquecimento significante no campo da cultura e da educação no Brasil”.

Na terça-feira, 7, o Ministério do Turismo, que abriga a pasta da Cultura, exonerou ou dispensou cinco pesquisadores com cargos de chefia, pouco mais de dois meses após a atriz e roteirista Letícia Dornelles ter sido nomeada presidente da instituição.

Quando Dornelles foi nomeada, o presidente Jair Bolsonaro fazia uma série de trocas no comando de instituições da área da cultura, tendo como principal a do secretário especial da Cultura, com a nomeação do dramaturgo Roberto Alvim. Foi nessa sucessão de troca de cadeiras que Bolsonaro indicou para chefiar a Fundação Cultural Palmares o polêmico jornalista Sérgio Camargo e de Dante Mantovani para a Funarte. O Iphan, por exemplo, está há exato 1 mês sem presidente.

Os exonerados foram a crítica literária Flora Süssekind, o sociólogo José Almino de Alencar e Silva Neto, que ocupavam a chefia do Centro de Pesquisa em filologia e a de pesquisa relacionada à obra de Rui Barbosa, respectivamente, Antonio Herculano Lopes, que era diretor do Centro de Pesquisa, e Charles Gomes, que era chefe do Centro de Pesquisa em Direito. A jornalista Joelle Rouchou, que era chefe do Centro de Pesquisa em História foi apenas dispensada. 

Acervo
A casa, fundada em 1924, tem um dos mais ricos acervos literários do País. Foi nele que, desde 2017, pelo menos 40 poemas desconhecidos de João Cabral de Melo Neto, que teve seu centenário marcado na quinta-feira, 9, foram descobertos. Nela constam também documentos, manuscritos, cartas e esboços de livros da produção intelectual de autores que marcaram a literatura brasileira, como Clarice Lispector, Manuel Bandeira e Vinicius de Moraes.

Na casa é onde reside todo o acervo do intelectual e jurista Rui Barbosa. A sua biblioteca particular, com 23 mil títulos, tem coleções históricas de áreas como ciência política e língua portuguesa. Na casa, estão móveis intactos da época em que Rui viveu e uma coleção de obras de cordel com itens raros do início do século XX.

Um dia depois das exonerações, a presidente da casa anunciou que o local terá exposições e palestras sobre a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher e o ex-presidente americano Ronald Reagan ícones liberais, que farão parte de uma iniciativa chamada “Países & Personalidades”, desenvolvido por Dornelles em parceria com o Itamaraty. Como você leu no BRP, Carlos Bolsonaro comemorou e replicou a notícia no Twitter. / Roberta Vassallo, especial para o BRP