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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Manuela lidera pesquisas em Porto Alegre, mas disputa é acirrada

Cassia Miranda

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Se as eleições municipais fossem hoje, Porto Alegre elegeria a sua primeira prefeita. E, depois de 15 anos, a capital gaúcha voltaria a ser administrada pela esquerda. Uma forte tradição porto-alegrense criada no fim dos anos 80 e mantida até o início dos anos 2000. O panorama atual da corrida eleitoral na cidade tem a candidata do PCdoB, Manuela D’Ávila, na liderança das intenções de voto, segundo o Ibope.

Foto: Dida Sampaio/Estadão

Ela aparece com 24%, enquanto o ex-prefeito José Fortunati (PTB) tem 14%. A pesquisa, a primeira do instituto na capital, foi divulgada no último dia 5, e traz ainda o deputado estadual Sebastião Melo (MDB) com 11% e o atual prefeito de Porto Alegre, Nelson Marchezan (PSDB), com 9%. A cidade tem ainda outros nove candidatos. Os três estão tecnicamente empatados na segunda posição, já que a margem de erro é de três pontos porcentuais para mais ou para menos.

O cenário repete o da campanha de 2012, quando a primeira pesquisa Ibope apontava a liderança de Manuela contra Fortunati por 2%. Na época, ela tinha 37% e ele, 35% das intenções de voto. Ao fim do segundo turno, no entanto, a candidata do PCdoB acabou derrotada por Fortunati, que disputou o pleito pelo (PDT).

De lá para cá, eles dizem que muita coisa mudou. A principal diferença desta para aquela eleição é a pandemia da covid-19 e os efeitos dela sobre a economia. Em entrevista ao BRPolítico, os dois apontam o amadurecimento pessoal como vantagem para a disputa deste ano.

“Mudei eu, que hoje tenho 40 anos, e que a cidade conhece ainda mais. E mudou a situação econômica do Brasil”, diz Manuela. Nos últimos oito anos, a comunista disputou outras duas eleições. Em 2014, foi eleita deputada estadual e em 2018, chegou ao segundo turno das eleições presidências como vice de Fernando Haddad (PT).

“Em primeiro lugar o que mudou foi a pandemia e a preocupação das pessoas. Em 2012 não eram essas as preocupações básicas dos cidadãos, eram outras. Pessoalmente, eu fiquei com mais experiência”, aponta Fortunati.

Para se manter na liderança até o fim da corrida eleitoral, Manuela aposta em seu projeto de governo para o período de crise e na memória do eleitorado em relação à administração do adversário.

“Fortunati governou Porto Alegre no melhor momento de investimento na cidade e eu entendo que a população percebe a situação de abandono que a cidade foi deixada, de ausência de investimentos nos bairros de periferia. Então, para mim, é bastante expressivo que oito anos depois as pessoas percebam que em um momento de crise, nós que temos um projeto focado na melhoria de vida de mulheres e homens que vivem, sobretudo, nas periferias e que com isso acreditamos que vamos melhorar a cidade toda, estejamos em primeiro lugar”, avalia.

Já Fortunati diz que não pauta seus movimentos de campanha baseado em pesquisas eleitorais externas. Ele diz que ainda é cedo para avaliar, e toma o caso de oito anos atrás como exemplo, quando o cenário indicado pelo Ibope na primeira pesquisa não se concretizou no final da eleição.

Ele tem, contudo, seu próprio diferencial, conforme aponta: “Pessoalmente, eu fiquei com mais experiência. A minha pretensão é voltar à prefeitura, analisando acertos e erros cometidos exatamente na gestão anterior. Essa uma vantagem que eu tenho e poucos têm”, diz.

Fator Marchezan

Para chegarem, a quase um mês do primeiro turno, na primeira e segunda posição da disputa, Manuela e Fortunati, respectivamente, contaram com o “fator Marchezan”. Em junho, levantamento do Paraná Pesquisas apontava o atual prefeito em primeiro lugar, com 43,9% das intenções de voto.

No meio do caminho, no entanto, a imagem do tucano caiu em desgaste com a aprovação na Câmara de Vereadores de Porto Alegre da abertura de processo de impeachment contra ele. A base para o pedido de destituição – o sexto encarado por Marchezan desde o início da gestão – foi a retirada de R$ 3,1 milhões do Fundo Municipal da Saúde para aplicar em ações de publicidade.

A reportagem tentou contato com a assessoria prefeito, mas não obteve retorno até o fechamento deste texto.