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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Marcelo Odebrecht fala pela primeira vez

Equipe BR Político

Marcelo Odebrecht, preso na Lava Jato em 2015, concedeu à Folha a primeira entrevista desde que deixou a prisão, em dezembro de 2017. Em meio a mensagens motivacionais para os funcionários da empresa, que já foi a maior empreiteira do Brasil e, agora, enfrenta uma recuperação judicial com dívidas calculadas em mais de R$ 98 bilhões, falou das relações econômicas e políticas entre as empresas e o PT, que culminaram no petrolão e no esquema revelado pela Lava Jato.

Embora não tenha aceitado entrar em detalhes do esquema revelado por ele e demais ex-executivos do grupo em delação premiada, disse que foi Lula quem pediu que a Odebrecht entrasse no projeto do porto de Muriel, em Cuba. “Eu diria que, nesses 20 anos, só uma exportação teve uma iniciativa por parte do governo brasileiro e que, apesar da lógica econômica por trás, teve uma motivação ideológica e geopolítica, que foi Cuba. Em todos os países, nós íamos por iniciativa própria, conquistávamos o projeto e buscávamos uma exportação de bens e serviços. Em Cuba houve um interesse do Brasil de ajudar a desenvolver alguns projetos. E aí Lula pediu para que a Odebrecht fizesse um projeto em Cuba”, afirmou.

Segundo ele, Lula queria que a empresa entrasse na construção de estradas na ilha então ainda governada por Fidel Castro, mas teria sido o próprio Odebrecht que teria dito que mais interessante seria a construção de um porto. Marcelo nega a existência de uma “caixa-preta do BNDES”. “Em relação a gente [Odebrecht] com certeza não tem caixa preta. O pessoal diz que o BNDES praticou políticas, principalmente de juros baixos e condições favoráveis de financiamento, que eram incompatíveis com o mercado. Questionam o jatinho e constroem a história de uma maneira espetaculosa”, afirma.