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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Marcos Pereira: ‘O Brasil não começou em 1º de janeiro de 2019’

Marcelo de Moraes

Um dos principais participantes das discussões do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, entre 2016 e 2018, como ministro da Indústria e Comércio do governo Temer, o presidente nacional do PRB e vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, deixou claro o desconforto provocado pelo não reconhecimento da administração Bolsonaro dos esforços de quem participou da construção da negociação.  “É preciso registrar que o acordo já estava bem avançado e pronto para um compromisso político ser assinado em dezembro de 2017. Dependia apenas dos europeus, especialmente o setor agrícola, que ainda resistia em vista da competitividade sul-americana. Afirmações do tipo “fizemos em quatro meses o que não fizeram em 20 anos” são apenas retórica política e não correspondem à verdade. Um acordo desta magnitude não seria (e não foi) realizado em tão pouco tempo”, afirmou Pereira na carta semanal que assina e envia para os integrantes do PRB. O texto do deputado é entitulado “Mercosul e União Europeia: um acordo de Estado, não de governo”

“Parabenizo o atual governo por ter chegado à conclusão, mas não posso deixar que apaguem a história, sobretudo pelo trabalho dos técnicos negociadores não só do Brasil, mas da Argentina, Paraguai e Uruguai. Foram muitas e muitas rodadas de negociação e noites sem dormir para que um acordo bom para ambos os blocos fosse possível”, acrescenta Pereira. “Meu sucessor no Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, o republicano Marcos Jorge, também avançou na negociação em reuniões na Comissão Europeia ao lado do ex-ministro das Relações Exteriores Aloysio Nunes. Ali foi o ponto mais próximo da conclusão do acordo”, lembra. E Pereira arremata: “A lição que fica é a seguinte: no republicanismo, assuntos de Estado devem perpassar governos e interesses partidários e ideológicos em nome do interesse público. O Brasil não começou em 1º de janeiro de 2019. Há muita coisa boa iniciada em governos anteriores que merece não apenas continuidade, mas aperfeiçoamento. É preciso sobriedade, equilíbrio e respeito no trato da coisa pública. Não vamos apagar a história nem deixar que a apaguem sumariamente” afirma. /Marcelo de Moraes