Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Marcelo de Moraes

Matarazzo defende nova OS para o Teatro Municipal de São Paulo

Alexandra Martins

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Defensor do modelo de gestão das Organizações Sociais (OS) em estruturas públicas, o candidato do PSD à Prefeitura de São Paulo, Andrea Matarazzo, afirmou em live ao BRP que pretende começar tudo do zero para administrar o Teatro Municipal de São Paulo, caso seja eleito. O centenário equipamento cultural da Capital enfrenta crises administrativas em razão de suspeitas sucessivas de OS’s com malversação de recursos.

O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSD, Andrea Matarazzo, em entrevista ao BRP

O candidato à Prefeitura de São Paulo pelo PSD, Andrea Matarazzo, em entrevista ao BRP

O ex-vereador disse que será preciso contratar uma auditoria externa, não vinculada à OS, para acompanhar a contabilidade do teatro, e reforço da Controladoria-Geral do Município. “Temos que controlar as OS’s com auditoria externa de reputação ilibada. Elas são privadas, mas usam dinheiro público. No caso do Municipal, eu manteria o modelo, mas começaria tudo outra vez, estabelecendo uma nova OS”, disse o ex-secretário de Cultura da gestão de Geraldo Alckmin.

A Secretaria Municipal de Cultura publicou em setembro um edital de chamamento para a escolha de uma nova organização social para realizar a gestão do teatro e da Praça das Artes de novembro deste ano a outubro de 2025, informa o Estadão. A princípio, o Instituto Odeon estaria à frente do teatro até 2022, mas a Fundação Theatro Municipal decidiu no início deste ano rescindir o contrato, alegando problemas na prestação de contas da entidade, que nega qualquer irregularidade.

Sobre o capítulo Alckmin, Matarazzo disse que já “virou a página” marcada pela atuação desfavorável do ex-companheiro político a seu nome na disputa pela Prefeitura de São Paulo em 2016, quando João Doria levou a melhor. “Não gostei da ação do Geraldo, que eu conheço há tantos anos, porque justamente utilizou métodos que nós sempre condenamos em outros partidos. Mas não tenho mágoa, não. Eu cheguei à conclusão de que mágoa dá câncer. Já tive um e não quero ter outro. Passou, passou. Você tem que virar a página, mudar de canal”, declarou.

Já sobre seu partido, o candidato afirmou estar alheio à política partidária do PSD ao ser questionado sobre a possibilidade de conflito de interesses envolvendo o chefe do Ministério das Comunicações, Fábio Faria (PSD), genro do dono do SBT, e o chefe da Secom, Fábio Wajngarten, cuja empresa, da qual se diz hoje desligado, recebeu dinheiro de emissoras de TV que mantêm contratos com a pasta.

Para Matarazzo, que já foi da Secom, há, sim, conflito de interesses. “Acho sim (que tem conflito de interesses), tem que ter dedicação em tempo integral, mas nem sei o caso em detalhes. Não dá para manter o pé em duas canoas. Parece que hoje em dia essas coisas não são um problema. Quando você está na área pública, tem que se dedicar só à área pública. Achar que vai olhar seus negócios e o governo ao mesmo tempo, não vai fazer bem nem a um nem a outro”, disse.

Matarazzo, que passou 23 anos no PSDB dos 30 anos de sua vida pública, afirmou não ter  identidade com o PSDB atual, “se não, teria ficado lá”, ou com qualquer outro partido. “Aliás, não tenho muita identidade com os partidos, tenho identidade com a minha cidade. Fico indignado quando vejo uma cidade com problemas que São Paulo tem e nós estamos discutindo a obra para eleição, o marco da gestão”, aponta o candidato para o adversário Bruno Covas (PSDB). Sua tecla é a da reforma do Vale do Anhangabaú. “Gastar R$ 100 milhões numa fonte luminosa e agora estão tentando privatizar. “Privatização não é solução para todos os males. Dinheiro público precisa ser aplicado nas prioridades que fazem a diferença para a população. São Paulo tem 1.300 favelas e quase 3 milhões de pessoas sem esgoto tratado”, destacou.

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