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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Maus sinais vindos do estrangeiro

Equipe BR Político

Não está nada fácil a vida de alguns dos amigos do governo brasileiro no exterior. O primeiro a perder força e não conseguir se reeleger foi o ex-ministro do Interior Matteo Salvini, na Itália. A relação dele com o Brasil se estreitou depois da extradição de Cesare Battisti. O italiano tinha pretensões de se tornar premiê quando rompeu, em agosto, com a coalizão que governava o país na época. Salvini também já elogiou ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), a quem chamou de “amigo” e felicitou por sua indicação à embaixada brasileira em Washington.

Depois, a maré de azar se aproximou um pouco mais do Brasil, quando na Argentina, o presidente Maurício Macri perdeu nas prévias para o adversário que tem a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. A eleição no país vizinho é apenas no fim de outubro, mas o que as notícias que vêm de lá nos adiantam é que Macri não será reeleito.

Por fim, na última semana, o premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, não conseguiu o número de cadeiras necessárias para a formação de um novo governo e precisou propor a seu rival a formação de um governo de união nacional. Israel foi um dos primeiros países para onde Bolsonaro viajou depois de assumir a Presidência. A Bibi, o brasileiro prometeu a transferência da embaixada brasileira para Jerusalém. Militares israelenses, inclusive, vieram em missão ao Brasil para ajudar no resgate de corpos após a tragédia em Brumadinho.

Esses são maus sinais para o Planalto. Para um governo que apressadamente já pensa na reeleição, assistir a derrocada de aliados políticos com quem tem afinidade de ideologia e de pautas não é um bom presságio. E é também um indício concreto que demonstra que o governo vem errando na política externa ao pautar a diplomacia pela amizade e proximidade ideológica em detrimento de negócios ou de acordos comerciais e diplomáticos satisfatórios para o Brasil.