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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Me ofereceram o Porto de Santos, mas não vou aceitar’, diz Paulinho da Força

Equipe BR Político

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O deputado Paulinho da Força (Solidariedade-SP) precificou sua fatura para blindar o presidente Jair Bolsonaro de um eventual processo de impeachment no Congresso, cujo trâmite não tem sinal verde do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). “Me ofereceram o comando do Porto de Santos, mas eu não vou aceitar”, disse Paulinho ao Estadão. Ontem, Maia afirmou que é preciso ter “cautela e equilíbrio” com esse debate.

O deputado Paulinho da Força

O deputado Paulinho da Força Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Além do porto, estão sendo discutidas nomeações de outros nomes do Centrão para a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), o comando do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a Funasa, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), o Departamento Nacional de Obras contra as Secas (Dncos), a presidência do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), uma diretoria da Codevasf, do Banco do Nordeste e da Secretaria Nacional de Vigilância Sanitária, e o Ministério do Desenvolvimento Regional.

Entre os candidatos estão, além de Paulinho da Força, o PSD, o próprio DEM de Maia, o PP do senador Ciro Nogueira e do deputado Arthur Lira (AL), o PL de Valdemar Costa Neto, o Republicanos do vice-presidente da Câmara, Marcos Pereira, além de outros nomes da base evangélica de Bolsonaro no Legislativo.

Como afirma o cientista político Cláudio Couto, da FGV, “não custa lembrar: o “Centrão” não é de centro. Trata-se de um nome-fantasia, um eufemismo para denominar o que pode ser mais propriamente chamado de direita fisiológica adesista. Embora seja formado por partidos e políticos de direita, essa não é sua única característica. São fisiológicos porque seu principal intuito é obter ganhos relacionados a verbas e cargos públicos em contrapartida a apoio legislativo. São adesistas porque seu fisiologismo os leva a aderir a quaisquer governos, mesmo de campos ideológicos opostos, pragmaticamente. Portanto, relativizam e moderam suas posições ideológicas em prol dos ganhos fisiológicos, mediante adesão. Por isso se aliaram a governos tão distintos ideologicamente como Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e, a se confirmarem os atuais acertos, Bolsonaro”.