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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Médici disse que a economia ia bem, mas o povo ia mal’, lembra sociólogo

Equipe BR Político

Agravada durante a ditadura militar (1964-1985) e pouco combatida durante os governos progressistas, a concentração de renda entre os brasileiros mais ricos não esteve nem perto dos padrões internacionais mais razoáveis ao longo do século 20 e até os primeiros anos deste século, informa o Estadão, com base em pesquisa feita pelo sociólogo e técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Pedro Herculano Guimarães Ferreira de Souza.

O estudo foi feito a partir de dados de 87 anos do Imposto de Renda, a maior série do tipo já publicada, e mostra que o 1% mais rico dos brasileiros manteve entre 25% a 30% da renda total desde então. Para efeito de comparação, na Alemanha essa concentração é de cerca de 10%; no Chile, um pouco acima de 20%.

Mas mesmo durante o milagre econômico? “Sim. O (presidente Emílio Garrastazu) Médici disse que a economia ia bem, mas o povo ia mal. O bolo cresceu, mas nunca chegou a ser dividido. Crescimento e desigualdade não andam necessariamente juntos.  Depois, o governo de (Ernesto) Geisel reconheceu que a desigualdade era um problema forte.”

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