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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Medidas econômicas de 2020 devem ser revertidas em 2021, diz Felipe Salto

Equipe BR Político

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Com a projeção de aumento da dívida pública do Brasil em cerca de 10% neste ano, segundo o Instituto Fiscal Independente (IFI), o diretor-executivo do órgão, Felipe Salto, reforçou o apelo pela não aprovação de medidas que gerem gastos permanentes neste ano. Em sessão da Comissão Mista Covid-19 do Congresso nesta segunda-feira, 25, Salto afirmou que, embora seja necessário aumentar as despesas públicas durante a pandemia, a política econômica do País a partir do ano que vem deve reverter essa tendência. “O aumento da dívida representa mais de R$ 700 bilhões. Por isso é importante evitar o risco de se aprovar medidas que não estejam relacionadas à crise que acabem gerando gastos permanentes. O maior exemplo são reajustes salariais, contratações e outras despesas que possam acabar permanecendo mesmo com a crise debelada no final deste ano”, afirmou o economista.

O diretor-executivo do Instituto Fiscal Independente, Felipe Salto

O diretor-executivo do Instituto Fiscal Independente, Felipe Salto Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado

Pela projeção do instituto, em 2030 o Brasil conseguiria diminuir o seu déficit primário para menos de 1%. “Para que isso aconteça, é essencial que as medidas tomadas em 2020 sejam revertidas em 2021”, reforçou Salto. “Neste momento precisa aumentar as despesas públicas, não há outro caminho. O único caminho possível para enfrentar a crise é uma atuação eficiente do Estado brasileiro. E essa eficiência do Estado é incomum. O Estado brasileiro tem dificuldade para fazer ajustes quando é o caso e tem dificuldade de gastar quando é o caso também”, avaliou.

Segundo a projeção mais pessimista do instituto, o PIB deverá cair 5,2% neste ano. A previsão é mais otimista do que a divulgada pelo Banco Central nesta segunda, que já prevê queda de 5,89% na economia brasileira. Enquanto isso, o órgão do Senado prevê que o déficit primário deva alcançar cerca de 9,6% do PIB, podendo ser ainda pior de acordo com quando as atividades afetadas pela crise terão condições de se recuperar.