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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Memória do morto é protegida penalmente’, diz Mariz

Equipe BR Político

Para o advogado Antonio Claudio Mariz de Oliveira, que foi defensor do ex-presidente Michel Temer até dezembro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro cometeu ofensa à memória do desaparecido político Fernando Santa Cruz, que, segundo documentos do governo federal, morreu sob custódia do Estado no período da ditadura. Ele era pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz. Durante evento do Instituto dos Advogados de São Paulo (IASP), Mariz lembrou que “a memória do morto é protegida penalmente pelo Código Penal. Se amanhã eu falecer e minha memória for atingida, ele (CP) protege meus familiares”, disse o advogado ao BR18 nesta sexta, 2, em São Paulo.

Com relação ao pedido feito pelo STF para que Bolsonaro conte o que sabe sobre o desaparecido político, Mariz destaca que se trata de um “pedido de explicação”, não uma obrigação. “Se não houver resposta ou se a resposta for insatisfatória, ele (Bolsonaro) poderá responder, aí dependerá do presidente da OAB, por eventuais ofensas. E a ofensa que ele fez foi contra um morto”, completou. O presidente da República declarou que os correligionários de Santa Cruz “resolveram sumir com o pai do Santa Cruz. Não foram os militares que mataram ele não, tá? É muito fácil culpar os militares por tudo que acontece (…) Conto pra ele (para Felipe como Fernando morreu). Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”. Outros membros de destaque da AP incluem o ativista Herbert de Souza, o Betinho, e o senador José Serra.