Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Menor hoje pode cheirar paralelepípedo de crack, menos trabalhar’, diz presidente

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

O presidente Jair Bolsonaro passou por cima do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao defender na noite de terça, 25, o trabalho infantil diante de uma plateia de “donos de botequim”, ou seja, o empresariado presente no Congresso Nacional da Abrasel, transmitido ao vivo e apresentado pelo presidente da entidade, Paulo Solmucci. “Bons tempos, né? Onde o menor podia trabalhar. Hoje ele pode fazer tudo, menos trabalhar, inclusive cheirar um paralelepípedo de crack, sem problema nenhum”, disse ele.

Os aplausos vieram quando o chefe do Planalto contou que já “trabalhava” aos 10 anos de idade. “Meu primeiro emprego, sem carteira assinada, obviamente, tinha 10 anos de idade, foi no bar do seu Ricardo em Sete Barras, Vale do Ribeira”, disse Bolsonaro, sob aplausos. “Eu estudava de manhã e à tarde, das 2 (horas) da tarde até as 6, 7 (horas) da noite… Tinha pouca gente no bar, a galera que gosta de uma birita chega um pouquinho mais tarde, e eu trabalhava ali com ele, meu pai me botou lá.”

Em vigor desde 1990, o ECA veda o trabalho de menores de 16 anos, só autorizado a partir dos 14 anos na condição de aprendiz. Bolsonaro é um crítico da legislação há anos. Ele já defendeu em outras ocasiões que crianças e adolescentes possam trabalhar como forma de “enobrecimento”.

Tudo o que sabemos sobre:

cracktrabalho infantilAbrasel