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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Mentira é dizer que há empenho para combater crime ambiental’, reage Greenpeace

Alexandra Martins

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O Greenpeace reagiu à desinformação transmitida pelo presidente Jair Bolsonaro de que a Amazônia está intacta e que é “mentira” que a floresta “arde em fogo” aos países amazônicos durante a 2ª Cúpula Presidencial do Pacto de Letícia pela Amazônia, por videoconferência, nesta segunda, 11. “Ignorar e distorcer a realidade não a tornará diferente. Um presidente da República deveria saber disso. A exato um ano após o famoso ‘Dia do Fogo’, poucos dias depois dos dados do INPE apontarem aumento nos alertas do desmatamento de 34% no último ano, e com índices de foco de calor batendo recordes a cada mês, Bolsonaro diz que as queimadas da Amazônia são uma mentira. Mentira é dizer que há empenho no governo para combater o crime ambiental, enquanto servidores comprometidos estão sendo sumariamente demitidos, intimidados e silenciados, e as estruturas de proteção ambiental desmontadas”, afirmou a organização em nota.

Sobre o fatídico Dia do Fogo, quando um ano atrás produtores rurais da região se mobilizaram para atear fogo na Amazônia, o Greenpeace identificou que quase metade dos focos de calor ocorreu dentro de propriedades rurais cadastradas no sistema fundiário do Pará. Ao menos 66 dos 478 imóveis que tiveram focos de calor no dia da ação já possuíam embargos por crimes ambientais anteriores ao Dia do Fogo, e reincidiram no delito. Destes imóveis, 99,37% já apresentavam traços de pastagem mapeados e classificados pelo MapBiomas em 2018, “o que nos leva a conclusão que o dia do fogo foi articulado por diversos pecuaristas”.

Em conversa com o BRP, a porta-voz e Políticas Públicas do Greenpeace, Luiza Lima, criticou o desmonte do Ibama e a Operação  Verde 2 do vice-presidente Hamilton Mourão, as operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) para combater as queimadas na região da floresta e reforçou que se o governo, de fato, tivesse intenção de resolver os problemas dos crimes ambientais do País ele poderia começar com o fortalecimento dos principais órgãos públicos dedicados ao tema, como o próprio Ibama, e dos conselhos da sociedade civil ligados ao meio ambiente que foram silenciados, além de medidas contra o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, “depois de tantos escândalos e denúncias”.

“A operação tem se mostrado um grande teatro. É uma forma de chamar atenção pública, de que há intenção de resolver os problemas, mas na verdade não há.  O Mourão não mostrou nenhuma tentativa de reverter essa política (de desmatamento). Pelo contrário, Mourão faz aceno às mesmas políticas destrutivas que o governo Bolsonaro vem implementando, como a tentativa do PL 191 que prevê a regulamentação de atividades de mineração em terras indígenas ou o PL da regularização fundiária. A intenção do governo segue sendo a mesma”, conclui.

 

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