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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mesmo com recuperação, Bolsonaro não aparece como ‘cabo eleitoral’

Vera Magalhães

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A recuperação gradual da popularidade de Jair Bolsonaro e sua resiliência na disputa presidencial de 2022, mostradas por várias pesquisas nas últimas semanas, não se traduz, ao menos por ora, na transformação do presidente em um cabo eleitoral relevante para as eleições municipais de novembro.

O presidente Jair Bolsonaro na frente do Palácio da Alvorada na semana passada

O presidente Jair Bolsonaro na frente do Palácio da Alvorada durante o isolamento social. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Pesquisa feita pelo Ideia Big Data para o BRPolítico na esteira do levantamento publicado na semana passada, que mostrou a influência do auxílio emergencial na avaliação de Bolsonaro, não indica o mesmo efeito em sua capacidade de influenciar o voto do eleitor nas cidades.

O Ideia realizou 1.510 entrevistas por meio de aplicativo mobile de 2 a 10 de julho. Questionados de que forma o fato de Bolsonaro declarar apoio a um candidato a prefeito em sua cidade influenciaria o voto, só 10% responderam que votariam com certeza nesse nome, enquanto 25% admitem que poderiam votar. As duas respostas positivas perdem para os 45% que dizem que não votariam de jeito nenhum num candidato que fosse apoiado por Bolsonaro.

O presidente fracassou em tentar criar um partido, a Aliança pelo Brasil, a tempo de disputar as eleições. O plano agora está congelado, há brigas internas na direção do que viria a ser a nova legenda e os bolsonaristas estão dispersos em várias siglas depois do rompimento com a cúpula do PSL. Isso deve se refletir num número menor de candidatos a prefeito com o carimbo do presidente.

Outros fatores que devem pesar são a avaliação do governo federal, bastante abalada pela pandemia, e o fato de que, ao menos por enquanto, Bolsonaro disse que não pretende se envolver nas eleições (discurso de sempre de governantes de plantão, poucas vezes cumprido).

Quando cruzados com outras perguntas do levantamento do Ideia, os dados a respeito da influência negativa de Bolsonaro na eleição municipal não melhoram muito nem entre os que recebem ou têm a expectativa de receber alguma parcela do auxílio emergencial. No primeiro grupo, o porcentual dos que dizem que votariam com certeza num candidato bolsonarista são os mesmos 10% do quadro geral. Entre quem ainda está na fila do auxílio há uma leve oscilação positiva, para 12% de certeza de voto.

O único subgrupo que tem maior influência de Bolsonaro como cabo eleitoral é o daqueles que, dentre os que recebem o auxílio, melhoraram sua avaliação em relação ao presidente. Esses, por sua vez, são 44% (menos da metade) dos 37% dos entrevistados que disseram ter sido contemplados com o auxílio.

Nesse substrato, 41% votariam com certeza num candidato com o apoio do presidente e 43% poderiam votar. Trata-se de um grupo que, em outras pesquisas, começa a se consolidar como uma possível nova base eleitoral bolsonarista: o dos integrantes de das classes D e E que podem ser fidelizados pela transferência direta de renda.

A confirmação desse fenômeno vai depender de muitos fatores, sobretudo se o governo, diante de problemas seríssimos de caixa, conseguirá perenizar o benefício, por meio da criação do Renda Brasil, ou ao menos do aumento do Bolsa Família.

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