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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Milton Ribeiro nega defender violência e diz se comprometer com Estado laico

Equipe BR Político

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Milton Ribeiro tentou acalmar ânimos no discurso na tarde desta quinta-feira, 16, da cerimônia de sua posse como ministro da Educação. O novo chefe da pasta deixada por Abraham Weintraub atacou boa parte das frentes de preocupação da comunidade educacional quanto à sua condução: afirmou se comprometer a ouvir acadêmicos e educadores, falou em respeitar a laicidade do Estado, apesar de sua formação religiosa, e ainda disse ser contrário a métodos que utilizem violência física em escolas, tema que gerou polêmica com a divulgação de vídeos que mostram o ministro, que é pastor, falando em educar crianças “com dor”.

Milton Ribeiro durante a posse como ministro da Educação

Milton Ribeiro durante a posse como ministro da Educação Foto: Reprodução/TV BrasilGov

“Jamais falei em violência física na educação escolar”, disse, apesar da existência do vídeo de quatro anos atrás em que defende a prática. “Nunca defenderei tal prática, que faz parte de um passado que não queremos de volta”, afirmou antes de pedir a crítica com a mesma veemência à violência contra professores. “Vale lembrar que, devido à implementação de políticas e filosofias educacionais equivocadas, em meu entendimento, que desconstruiram a autoridade do professor em sala de aula, que agora existem por muitas vezes episodios de violencia física de alguns maus alunos contra o professor”, afirmou.

Quando foi nomeado, na sexta-feira, 10, representantes e parlamentares da frente de educação expressaram preocupação com o nome de Ribeiro pela sua ligação estreita com a Igreja Presbiteriana, da qual é pastor, além de ter sido vice-reitor da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em uma tentativa de tranquilizar e afastar críticas sobre uma possível influência religiosa no ministério, o ministro afirmou que, “conquanto tenha formação religiosa” assume compromisso “bem firmado e bem localizado em valores constitucionais da laicidade do Estado e do ensino público.”

Ribeiro ainda disse que se comprometerá com o sistema público e que quer “abrir um grande diálogo para ouvir os acadêmicos e educadores que como eu estão entristecidos com o que vem acontecendo com a educação no nosso país, haja visto nosso referenciais e colocações no ranking do Pisa”. “Tenho consciência de que não vamos solucionar o problema de educação no País, mas procuraremos sim, com a ajuda de deus, deixar um legado positivo e de esperança para as gerações futuras”, afirmou.