Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministério da Agricultura interdita fábrica da Backer em Minas

Equipe BR Político

O caso das 10 pessoas contaminadas por uma substância tóxica chamada de dietilenoglicol – uma delas morreu – ganhou novos contornos nesta sexta, 10, com o pedido do Ministério da Agricultura de interdição da fábrica da cervejaria Backer em Belo Horizonte. Isso porque a Polícia Civil e a Vigilância Sanitária investigam uma eventual relação do quadro clínico dos afetados com a presença do produto em lotes da cerveja Belorizontina, da fabricante, ingerida pelos afetados. Todos eles, hoje internados, são do mesmo bairro da região oeste da capital mineira.

O dietilenoglicol é usado em serpentinas no processo de resfriamento das cervejas, ou seja, não é usado na fabricação do produto em si.

O Ministério da Justiça também entrou na investigação ao notificar hoje a Backer para apresentar “campanhas de recall, nos termos da Portaria n. 618/2019, ou as comprovações de que o produto não está ligado ao fato narrado. Ademais, para que, no mesmo prazo, informe em quais estados da federação os lotes contaminados foram comercializados”.

A cervejaria informou hoje que não utiliza o dietilenoglicol em sua fábrica e que vai recolher as garrafas dos lotes L1 1348 e L2 1348 da Belorizontina nos estabelecimentos e casa dos consumidores.

Carlo Lapolli, presidente da Associação Brasileira de Cerveja Artesanal (Abracerva), afirmou ao Globo que o caso é inédito no País. “É temerário apontar o dedo e acusar a cervejaria ou a cervejaria artesanal. O método de resfriamento que usamos em uma pequena cervejaria é idêntico a de uma grande cervejaria. É realmente muito segura a produção da cerveja no Brasil. O país tem um alto nível de qualidade, a fiscalização do Ministério da Agricultura é de alto nível e as empresas são permanentemente fiscalizadas. Não temos na literatura de cerveja um caso de contaminação por dietilenoglicol no mundo. É um fato inédito, que merece ser investigado. A própria industria está se perguntando como isso aconteceu.”

Lapolli desconhece cervejarias que utilizem o dietilenoglicol. “Desconheço cervejarias que o utilizem. Inclusive é mais caro (do que outros materiais). Não faz o mínimo sentido usá-lo. Utilizamos normalmente álcool etílico, de cana, que é diluído a uma concentração de 25% a 30% com água. Ele fica em um circuito fechado, um tanque gelado, e essa solução circula em torno dele.”