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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministério da Justiça deixa acidentes em rodovias no ‘rodapé’

Gustavo Zucchi

O número de mortes e acidentes nas rodovias federais virou uma nota de rodapé na apresentação dos resultados do Ministério da Justiça em 2019. Não é para menos: enquanto o diretor-geral da PRF, Adriano Marcos Furtado, ressaltava apenas que o Brasil está próximo de atingir a meta da ONU de reduzir em 50% o número de mortes no trânsito entre 2011 e 2020 (chegou, segundo o diretor, a 40% nas rodovias federais), o presidente Jair Bolsonaro batia o bumbo nas redes sociais em defesa de uma de suas “bandeiras” favoritas: a retirada dos radares nas estradas administradas pela União. Ao contrário do que foi feito em outras áreas, nas quais números parciais foram apresentados, não houve divulgação dos números das rodovias no primeiro ano de governo.

A decisão de retirar os radares já foi motivo de rusgas entre o ministro Sérgio Moro e Bolsonaro. Em maio deste ano, quando o atual ocupante do Palácio do Planalto intensificou a decisão, Moro se posicionou de forma contrária à medida em ofício enviado para a Câmara, defendendo que os equipamentos eletrônicos contribuíram para reduzir em quase 60% o número de acidentes entre 2014 e 2018.

Nesta semana, a Justiça Federal de Brasília revogou a suspensão de radares móveis nas rodovias federais, suspensos desde agosto por determinação de Bolsonaro. Em suas redes sociais, o presidente anunciou que determinou à Advogacia-Geral da União que recorra da decisão e aproveitou para perguntar aos seus seguidores se eles querem ou não a volta dos equipamentos.