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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministério da Saúde cancela ‘Dia D’ do kit covid

Vera Magalhães

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A reação da comunidade científica, com iniciativas como o Dia C de Ciência, que anunciamos aqui mais cedo, fez o Ministério da Saúde ir recuando aos poucos, até cancelar de vez, da ideia de fazer deste sábado o “Dia D” da ideia de vender o cuidado precoce, com o tal kit, para a covid-19.

Seria realizado neste sábado o que o Ministério da Saúde anunciou, inclusive nas suas redes sociais, como o Dia Nacional de Conscientização para o Cuidado Precoce. Nada de errado com a ideia de conscientizar as pessoas para cuidados preventivos contra o novo coronavírus — algo que o governo deveria estar fazendo de forma ininterrupta desde o início dos casos no País, mas não fez — ou mesmo para a importância de testes e procurar um médico diante dos sintomas de covid-19, mas não era isso que a campanha pretendia.

A intenção era usar unidades de saúde pública e canais de comunicação oficial para, mais uma vez, vender tratamentos sem eficácia comprovada no cuidado precoce da doença, como o tal kit covid, composto pela cloroquina e/ou hidroxicloroquina, azitromicina, invermectina e outros medicamentos, além de vitaminas e suplementos minerais como zinco (esse sim usado como auxiliar).

Médicos sanitaristas alertaram para o risco de a insistência do governo em tratamentos não comprovados pode caracterizar crime de responsabilidade. O uso preventivo de medicamentos, inclusive, contraria a bula dos remédios e até o protocolo único no mundo adotado pelo MS para prescrever esses remédios para casos leves e iniciais. Há várias ações contra essa resolução na Justiça.

O governo começou a semana negando que a ideia fosse fazer propaganda (de novo, pois isso já foi feito inclusive em solenidade no Palácio do Planalto) de medicamentos. Depois, disse que o Dia D ainda não tinha data marcada. Agora, a iniciativa simplesmente caiu no esquecimento. O site do Ministério da Saúde nem fala a respeito.