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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministério da Saúde sobre manifestações: se tiver sintomas, não vá

Vera Magalhães

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Enquanto o mundo todo restringe aglomerações por conta da epidemia global do novo coronavírus, no Brasil o Ministério da Saúde ainda não incluiu em seus protocolos de prevenção ao surto a recomendação para que se evitem grandes reuniões de pessoas.

Há um impasse político que ajuda a explicar a postura da pasta a esse respeito: o próprio presidente Jair Bolsonaro está convocando a população a ir às ruas no domingo para uma manifestação a favor de seu governo e contra o Congresso Nacional.

Em países aos quais o Brasil está alinhado politicamente, como os Estados Unidos, aulas, palestras, conferências, viagens de cruzeiro, festivais de música e eventos esportivos estão sendo cancelados para evitar a propagação do vírus.

Aqui, por ora, estão mantidos jogos de futebol do Campeonato Brasileiro com torcida, festivais como o Lollapallooza, eventos como as manifestações de domingo, aulas e eventos como seminários e palestras. Na última terça, o segundo dia do seminário do Todos pela Educação foi cancelado por suspeita de que sua coordenadora, Priscila Cruz, esteja com o Covid-19.

A deputada Carla Zambelli (SP), uma das organizadoras da manifestação do próximo domingo, encaminhou uma consulta ao Ministério da Saúde sobre os riscos de contaminação em grandes aglomerações. Agora, a pasta tem uma razão para se manifestar oficialmente a respeito.

Em resposta, o Ministério da Saúde divulgou as seguintes recomendações: “Pedimos que, se você estiver com sintomas de gripe, não vá à manifestação ou vá de máscara. Leve álcool gel com você e utilize sempre. Não cumprimente as pessoas de forma efusiva, sabemos o quanto o brasileiro é amoroso, mas é um momento sensível de alerta. Mantenha certa distância entre as pessoas. Todas essas dicas valem não só para a manifestação, mas para qualquer lugar onde haja mais pessoas em um mesmo ambiente, principalmente se for fechado”.

O texto está sendo divulgado por ela em seu site nas convocações para os atos de domingo.

Ela disse que por ora não existe recomendação de se adotar um protocolo mais restritivo, como o adotado em outros países. Ela avalia que não é o caso de se criar alarde para a população, porque o número de casos registrados no Brasil ainda é baixo para que se justifique um protocolo mais restritivo, embora reconheça que isso pode mudar, e que o Ministério da Saúde está acompanhando de perto a evolução dos casos.

A deputada avalia que será necessário ver se haverá reflexos no número de casos no Brasil de pessoas que possam ter sido expostas ao novo coronavírus no Carnaval, cujo período de incubação terminaria entre quinta e sexta-feiras.