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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministro Defesa diz que é único representante político das Forças Armadas no governo

Equipe BR Político

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Embalado pelas declarações do comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, e do vice-presidente Hamilton Mourão sobre o envolvimento das Forças Armadas com a política, o ministro da Defesa, Fernando Azevedo, e os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica divulgaram neste sábado, 14, uma nota oficial conjunta em que tentam superar a avaliação de que há uma tensão entre o presidente Jair Bolsonaro e o comando das Forças Armadas. O texto reafirma o caráter apartidário das instituições e ressalta que “o único representante político das Forças Armadas, como integrante do governo, é o ministro da Defesa”.

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva fala durante cerimônia

O ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva fala durante cerimônia. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

“A característica fundamental das Forças Armadas como instituições de Estado, permanentes e necessariamente apartadas da política partidária, conforme ressaltado recentemente por chefes militares, durante seminários programados, é prevista em texto constitucional e em nada destoa do entendimento do Governo e do Presidente da República”, inicia a nota.

Na última quinta, Pujol disse durante evento: “Não queremos fazer parte da política governamental ou do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre em nossos quartéis”. Ontem, Pujol voltou a se manifestar em um seminário organizado pela Escola Superior de Guerra. “Somos instituições de Estado, não somos instituição de governo, não temos partido. Nosso partido é o Brasil”, disse. “Independente de mudanças ou permanência de um determinado governo por um período longo, as Forças Armadas cuidam da Nação. São instituições permanentes, não mudamos a cada quatro anos a nossa maneira de pensar e como cumprir nossas missões.”

Depois da nova manifestação de Pujol, Bolsonaro sentiu necessidade de lembrar que fora ele quem nomeara militar para o cargo em uma espécie de “chamado de unidade” às fileiras. Bolsonaro escreveu nas redes sociais: “A afirmação do General Edson Leal Pujol (escolhido por mim para Comandante do Exército), que ‘militares não querem fazer parte da política’, vem exatamente ao encontro do que penso sobre o papel das Forças Armadas no cenário nacional.”

O vice-presidente Mourão também reforçou esse entendimento. “Política não pode estar dentro do quartel. Se entra política pela porta da frente, a disciplina e a hierarquia saem pela dos fundos. O comandante do Exército coloca claramente o que é a nossa posição”, destacou Mourão ao falar com jornalistas na portaria da Vice-Presidência no Palácio do Planalto na tarde de ontem.