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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ministro do STF autoriza prorrogação de inquérito Bolsonaro x Moro

Equipe BR Político

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O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal, atendendo a pedido da Polícia Federal, autorizou nesta segunda, 8, a prorrogação do inquérito sobre eventual tentativa de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na PF por mais 30 dias. A autorização tem concordância da Procuradoria-Geral da República. O inquérito foi aberto em abril após o ex-ministro Sérgio Moro acusar o presidente de tentativa de ingerência no órgão no dia em que saiu do governo. O chefe do Planalto nega as acusações e também afirma que o ex-titular da Justiça esperava em troca do cargo ser indicado para uma vaga no STF, o que ele nega.

O decano do STF, Celso de Mello

O decano do STF, Celso de Mello Foto: Dida Sampaio/Estadão

Na semana passada, os investigadores da PF em Brasília solicitaram cópia dos inquéritos que tramitaram na Superintendência da PF do Rio de Janeiro que possam ser de interesse do presidente, como a investigação eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) sobre evolução patrimonial do filho do presidente, a que envolve as declarações do porteiro do condomínio de Bolsonaro sobre a morte de Marielle Franco e a que teria incluído indevidamente o nome do deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), informou O Globo.

Naquela terça, 2, Bolsonaro disse que se dispunha a depor pessoalmente “sem problema nenhum”, uma vez que, segundo ele, a investigação será arquivada. Antes, no entanto, inferiu que o decano do STF teria cometido crime de abuso de autoridade ao levantar o sigilo do vídeo de uma reunião ministerial em que Bolsonaro diz que iria “interferir sim” e “ponto final”.

A PF já ouviu depoimentos, até o momento, da deputada federal Carla Zambelli (PSL-SP); do empresário Paulo Marinho, antes aliado dos Bolsonaro que depois trouxe novos elementos aos investigadores dizendo que uma operação policial contra Fabrício Queiroz fora vazada a Flávio; Sérgio Moro; e os ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Augusto Heleno (GSI) e Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).