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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moda do ‘Deus vult’ traz esquerda como ‘inimiga’

Equipe BR Político

O professor Paulo Pachá, de história medieval da Universidade Federal Fluminense (UFF), falou à agência Pública sobre a simpatia da extrema-direita no mundo de hoje pela Idade Média, exacerbada pelo uso da expressão dos cruzados, “Deus vult”, que significa “Deus quer”. Para o pesquisador, enquanto naquele período o inimigo era o islamismo na guerra que Deus “quis”, nos dias de hoje, num exercício hipotético, Pachá colocaria a esquerda nesse lugar de opositor. Quando Jair Bolsonaro venceu a eleição, o assessor de Relações Internacionais da Presidência, Filipe G. Martins, escreveu: “Está decretada a nova cruzada. Deus vult!”.

“Uma hipótese que me parece correta é que essa questão no Brasil tem mais a ver com a esquerda. Por motivos variados, a gente tem, ao longo da segunda metade do século XX, a construção de certo modelo de solidariedade entre a esquerda brasileira e a Palestina. Isso em algum momento ganhou certa solidez e passa a ser visto como uma coisa mais ou menos automática. Um caminho para explicar essa ideia é pensar que falar contra o Islã, no Brasil, seria de certa forma falar contra a esquerda. Tem muitos elementos que vão entrar no meio desse bolo, e é difícil pensar como eles se encaixam, mas claramente existe uma relação. O maior é essa aproximação recente da extrema-direita com Israel, que vai colocar a gente justamente nesse contexto do massacre perpetrado pelo Estado de Israel em cima da Palestina”, afirma o autor de artigo sobre o tema.

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