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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Modesto’, Witzel diz que encomendou parecer de Ayres Britto para defesa no STJ

Equipe BR Político

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O governador Wilson Witzel (PSD-RJ) afirmou que já encomendou um parecer ao ex-ministro do STF Carlos Ayres Britto para provar, perante ao Superior Tribunal de Justiça, onde se compromete a ir espontaneamente, que não cometeu nenhuma irregularidade ao manter o Instituto Unir Saúde como organização social (OS) apta a prestar serviço ao Estado, quando ela havia sido desqualificada para trabalhar para a administração pública estadual. A OS tem como sócio Mário Peixoto, preso na semana passada na Operação Favorito da Polícia Federal, e investigado desde a gestão do ex-governador Sérgio Cabral por atos ilícitos. Cinco mandados de prisão foram expedidos pelo juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal Criminal, na operação por fraudes na compra de respiradores. Segundo o Ministério Público Federal, junto à PF, cerca de R$ 700 milhões foram desviados do caixa estadual pelo grupo investigado.

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Wiztel

O governador do Rio de Janeiro, Wilson Wiztel Foto: Wilton Junior/Estadão

Em entrevista à CNN Brasil nesta terça, 19, Witzel falou da segunda chance dada à OS. “Ao analisar o processo, vi que, de acordo com os autos, não havia sido dada a ela todas as oportunidade de demonstrar que ela efetivamente não incorreu naqueles problemas que haviam sido imputados a ela. (foi um ato) Em homenagem ao amplo direito de defesa, ao contraditório”, afirmou. Como o nome do governador foi citado pelo suposto operador de Peixoto na organização criminosa, Luiz Roberto Martins, a investigação seguiu para o STJ. Uma interceptação telefônica mostra Marinho dizendo a um aliado que o “01” do Palácio Guanabara teria autorizado a OS a voltar a firmar contratos com o governo estadual.

“Eu vou ao STJ. Já estou encomendando um parecer do professor Carlos Ayres Brito, ex-ministro do STF, mostrando que minha decisão está adequada à realidade dos autos. Não tenho compromisso com ninguém. Ainda não fui convocado, mas vou me apresentar espontaneamente. Se usaram o meu nome para dizer que obtiveram algum tipo de influência na minha decisão, esses que têm que ser punidos”, afirmou à TV.

A seu favor, diz, nunca foi acusado de vender sentença em 17 anos de magistratura. “A minha vida sempre foi uma vida modesta. Eu fui juiz 17 anos e, por 17 anos, nunca fui acusado de vender decisão judicial, de vender sentença. Não vou agora transformar minha vida num inferno por conta de venda de decisão porque não admito corrupção”, disse.

Na entrevista, também mirou munição contra Bretas. “Se essa decisão do nosso colega Marcelo Bretas tivesse sido antes, porque esse processo se arrasta na Justiça Federal há alguns anos, envolvido com o ex-presidente da Alerj Paulo Melo, nós não estaríamos tendo problema de corrupção em nenhum governo”. Por isso, acrescentou, é preciso que o TRF-2 investigue se Bretas, ex-companheiro seu de Maracanã, não agiu por motivação política para agradar ao presidente Jair Bolsonaro com vistas à uma possível vaga no STF. “Espero que ele não tenha caído nesse tipo de armadilha. O próprio Moro pode ter caído também”, afirmou.