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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moradores de favelas sem água, gel ou isolamento sobre covid-19: ‘É doença de rico’

Equipe BR Político

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Com 10 milhões de brasileiros mal instalados em assentamentos, favelas e invasões pelo País, segundo o IBGE, o governo federal começa a esboçar as primeiras políticas públicas para atender a população miserável. Uma delas é utilizar navios para atender esse contingente em cidades litorâneas. O governo já identificou com empresas de cruzeiros que há aproximadamente 20 navios disponíveis, segundo o Estadão. Em locais afastados da costa, o estudo é sobre o uso de quarto de hotéis e até de unidades habitacionais ainda não entregues para socorrer a população. Por outro lado, o ministro da Economia, Paulo Guedes, avalia distribuir o chamado “coronavoucher” para a população miserável no valor hoje pago aos beneficiários do Bolsa Família.

Família de moradores do Sol Nascente, em Brasília, que sofre com falta de água frequente na região

Família de moradores do Sol Nascente, em Brasília, que sofre com falta de água frequente Foto: Dida Sampaio/Estadão

A realidade para a população pobre, maioria do país, no entanto, atropela violentamente as recomendações de combate à doença covid-19, como lavar as mãos, uso de álcool gel, vendido a preço de ouro nas farmácias, e isolamento. “Não tem água na favela para lavar a mão? Compra! Eu não posso comprar água nem pra beber. Vou comprar pra lavar a mão? Ter água na favela pra lavar a mão está sendo luxo. Não fazem ideia da nossa realidade”, afirma a comunicadora Tiê Vasconcelos, do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Ela e outras dezenas de pessoas participam da hashtag #COVID19NasFavelas, criada nas redes sociais para mostrar a realidade das comunidades do Brasil, informa a reportagem. Em vários tuítes, a covid-19 é chamada de “doença de rico”.

O ativista do bairro Raull Santiago, fundador do Coletivo Papo Reto, reclama da mesma situação. Ele mora com mais cinco pessoas, o que inviabiliza qualquer isolamento em casa. “As três dicas para evitar exposição e proliferação não nos cabem. Lavar sempre as mãos? (falta água direto). Usar álcool gel (não tem dinheiro para). Quarentena/isolamento (Com casas de dois ou três cômodos e 6 pessoas?). Como na favela?”, questionou no Twitter. Ao UOL, ele narra a situação dos moradores do Alemão que dependem da kombi para descer o morro. “Fomos tomar a vacina do sarampo e nós moramos no alto da favela. Para descer e subir, temos que pegar a kombi, com 16 pessoas —idosos, crianças, adultos”, diz.

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