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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro 2020 atua para reduzir reveses

Vera Magalhães

Não são só os tribunais que estão preocupados com a implantação do juiz de garantias a partir do dia 23 deste mês, como mostra reportagem da Folha desta segunda-feira. Em entrevista ao Estadão, o ministro Sérgio Moro (Justiça) diz textualmente, pela primeira vez, que a melhor solução para a questão, à qual ele sempre foi contrário, seria sua supressão da Lei Anticrime para posterior discussão na alteração mais ampla do Código Penal.

Moro trabalha nos bastidores contra a figura do juiz de garantias, mas, como se viu em situações anteriores, sua ascendência sobre os ministros do STF, que terão de julgar a se a criação do mecanismo é ou não inconstitucional, é bastante limitada, assim como se mostrou pequena sua influência sobre o Congresso, que incluiu o juiz de garantias em seu projeto, e mesmo sobre Jair Bolsonaro, que sancionou a medida.

O ministro segue sendo o mais popular de toda a Esplanada, como mostram todas as pesquisas feitas a respeito, mas com capacidade ainda pequena de ter suas opiniões e seus projetos levados a cabo por conta dessas limitações, que são de ordem política. Na entrevista ao Estadão, ele procura minimizar essas dificuldades e enunciar projetos ainda mais ambiciosos para 2020.

Numa clara tentativa de criar um canal próprio e consistente para comunicação direta com a população, o ministro intensificou nas primeiras semanas do ano a prestação de contas pelo Twitter. Nesta manhã, já fez um balanço da intensificação da Operação Aliança, com o Paraguai, que em 2019 eliminou mais que o dobro da maconha apreendida nos dois anos anteriores.