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por Marcelo de Moraes

Moro cita ligação de Carlos a ‘gabinete do ódio’ em depoimento à PF

Equipe BR Político

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O ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sérgio Moro afirmou em depoimento à Polícia Federal que ministros do governo reconhecem a ligação do filho do presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), ao chamado “gabinete do ódio”. O gabinete é composto por um grupo de assessores bolsonaristas do governo que usam estratégias nas redes sociais para atacar adversários do presidente. 

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro Foto: Gabriela Biló/Estadão

O depoimento ocorreu no dia 12 no inquérito sobre a organização de atos antidemocráticos. Moro afirmou que soube da relação de Carlos e dos assessores do Planalto com o gabinete por comentários de ministros do governo e que passou a sofrer ataques do grupo depois de sua saída do governo. Questionado sobre quais ministros seriam, Moro preferiu não citar nomes. 

“Indagado se tem conhecimento do envolvimento de Eduardo Bolsonaro, Carlos Bolsonaro, Tercio Arnaud, José Matheus, Mateus Matos em quaisquer dos fatos ora mencionados, respondeu que os nomes de Carlos Bolsonaro e Tercio Arnaud eram normalmente relacionadas ao denominado ‘Gabinete do Ódio’; indagado sobre como tomou conhecimento da relação de tais pessoas com o denominado ‘Gabinete do Ódio’, respondeu que tomou conhecimento por comentários entre ministros do governo; indagado sobre quais ministros citavam a participação de Carlos Bolsonaro e Tercio Arnaud no ‘Gabinete do Ódio’ respondeu que eram ministros palacianos”, diz o depoimento.

“Indagado se o depoente poderia nominar tais ministros, respondeu QUE reforça que era um comentário corrente entre os ministros que atuavam dentro do Palácio do Planalto”, registrou a PF. Em outro momento do depoimento, porém, Moro mencionou o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Luiz Eduardo Ramos e o secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, como “palacianos”.

O ex-ministro afirmou não saber se servidores públicos são usados nas atividades de ataque às autoridades, mas afirmou que é necessário apurar isso. No inquérito, a PF já ouviu Carlos e os três assessores da Presidência que fazem parte do gabinete do do ódio.