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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro entrega à PF mensagem inédita de Bolsonaro sobre inquérito do STF

Vera Magalhães

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O cerne do depoimento de Sérgio Moro à Polícia Federal é deixar claro que a grande razão para Jair Bolsonaro querer trocar o comando da Polícia Federal não eram supostos relatórios de inteligência a que o presidente queria ter acesso, e sim a extrema preocupação do presidente com o inquérito sigiloso conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes no STF que investiga uma rede de fake news contra ministros da corte financiada por empresários bolsonaristas e tendo parlamentares, assessores parlamentares e familiares de Bolsonaro como alvos.

Moro constrói essa narrativa mostrando datas, entregando provas, indicando testemunhas e apontando caminhos para a Procuradoria Geral da República checar as informações, por meio da requisição dos tais relatórios de inteligência tanto à Abin quanto à própria PF.

A cereja do bolo do depoimento, que passou despercebida por muitas análises segundo as quais não há uma “bala de prata” no depoimento do ex-ministro, é Moro dizer que estava entregando à PF naquela ocasião outra mensagem, além da que tinha divulgado ao Jornal Nacional, em que Bolsonaro faz menção à preocupação com o inquérito do Supremo.

Pode ser até que seja a mensagem divulgada de forma atabalhoada pelo próprio presidente nesta terça-feira em frente ao Alvorada. Com a falta de cuidado dos incautos, Bolsonaro mostrou na tela do próprio celular outra vez em que cobrou Moro a respeito da mesma notícia sobre o inquérito ter como alvos 10 dos 12 deputados bolsonaristas. Para Bolsonaro, ao dizer que aquilo era “fofoca” Moro teria demonstrado ter acesso às investigações.

Quando, na verdade, a mensagem importante na conversa é Moro dizer que não pode interferir num inquérito conduzido por um ministro do STF, nem ter acesso ao encaminhamento.