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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro faz vídeo para Capitão Wagner, mas diz que é só um ‘esclarecimento de fato’

Alexandra Martins

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O ex-magistrado e ministro da Justiça Sérgio Moro continua entrando em águas políticas pantanosas ao gravar um vídeo para o candidato do PROS à prefeitura de Fortaleza (CE), Capitão Wagner, que é apontado como um dos líderes do motim, ilegal, realizado no início do ano por policiais militares do Estado. O candidato (29%) está empatado em primeiro lugar com José Sarto (PDT), candidato do clã Gomes, com 26%, segundo pesquisa Datafolha da última semana. O militar recebeu apoio declarado do presidente Jair Bolsonaro nas últimas semanas, embora não explore publicamente a preferência eleitoral do ex-capitão.

Moro diz que a gravação é “um testemunho”. “Dou aqui meu testemunho. Não (em volume mais alto) participo das eleições e não quero. Não voto em Fortaleza, mas faço esse esclarecimento de fato”, destacou. O motim deixou 24 mortos e o senador Cid Gomes (PDT) baleado ao usar uma retroescavadeira na tentativa desastrosa de liberar os policiais ao trabalho.

O governador do Ceará, Camilo Santana (PT), atacou o adversário político. “Já que não consegue (Capitão Wagner) esconder sua liderança no motim que trouxe pânico ao Ceará, este ano, Capitão Wagner usa outras pessoas para falar por ele, como um ex-ministro e o senador bolsonarista do Ceará”, escreveu no Twitter.

Sérgio Moro e ministros sobrevoam Fortaleza durante motim, em fevereiro. Foto: Alexandre Manfrim / Ministério da Defesa

Neste domingo, 8, a Folha publicou que Moro se reuniu em 30 de outubro com o apresentador Luciano Huck, em Curitiba, para negociar uma aliança com vistas às eleições de 2022, uma espécie de “terceira via” em meio a forças de extrema-direita e de esquerda.

Leia a íntegra da fala em que Moro cita a “paralisação ilegal” e o candidato do PROS como mais um apaziguador:

“Durante minha gestão como ministro da Justiça, tivemos duas crises de segurança no Ceará. A primeira delas, com atentados criminosos em janeiro de 2019. O Governo Federal enviou auxílio e, juntamente com o Governo do Estado, debelamos a crise. Em fevereiro deste ano, crise decorrente da paralisação das forças policiais estaduais. Tinham reivindicações, mas a paralisação é ilegal e deixava a população desprotegida. Enviamos as Forças Armadas, também a Força Nacional, para ajudar no policiamento. E fomos até Fortaleza para conversar com autoridades e buscar uma solução que encerrasse aquela paralisação, quer atendendo ou não as reivindicações. Na oportunidade, encontrei o deputado federal Capitão Wagner, inclusive na Escola de Aprendizes da Marinha. Conversamos, e toda a preocupação era voltada a encerrar o movimento para atender a população de imediato. Estou aqui com meu testemunho. Não participo das eleições e não quero. Não voto em Fortaleza, mas faço esse esclarecimento de fato.”

 

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