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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro: ‘Não me sinto confortável em tratar de casos da família Bolsonaro’

Equipe BR Político

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Investigado em inquérito no STF que apura acusações de interferência política do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal, o ex-ministro Sérgio Moro repetiu seu tom moderado ao falar da gestão do ex-chefe, em live da Necton nesta manhã de quinta, 20, bem como evitou discorrer sobre os casos de corrupção que marcam integrantes do governo e a família do chefe do Planalto. O ex-magistrado cumprirá quarentena remunerada até o dia 24 de outubro após ter saído do governo.

Sérgio Moro durante o anúncio de que deixaria o governo

Sérgio Moro durante o anúncio de que deixaria o governo Foto: Gabriela Biló/Estadão

Sobre a aproximação do presidente com o Centrão, o ex-juiz disse que “qualquer governo precisa ter apoio parlamentar para conseguir aprovar suas políticas e fazer seu planejamento”. Sobre a derrubada pelo Senado do veto ao reajuste dos servidores públicos, afirmou que “a posição de que devemos ter essa dívida (pública) controlada para não comprometer os benefícios e bem-estar das gerações futuras é uma realidade”, apesar de destacar que não tem “muita compreensão” sobre o assunto. Quanto aos movimentos do Palácio do Planalto pela derrubada do teto de gastos, expôs que “a tese de que é necessário não violarmos o teto, evidentemente, faz sentido do ponto de vista econômico”.

Sobre a reforma tributária, defendeu que é preciso “aumentar aqui e diminuir ali” para tornar a tributação “mais justa”.

Nas questões indigestas, que conflitam com sua bandeira anticorrupção, Moro fez como sempre. “Eu prefiro não comentar casos concretos sobre essa situação especifica”, respondeu em relação às investigações contra o ex-advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef. “Li a matéria (da revista Crusoé, onde ele é colunista) e não sei detalhe dos fato. O que posso dizer é que durante meu período (à frente do Ministério da Justiça) tudo isso (casos de corrupção) foi tratado de maneira muito republicana. Nunca protegemos ninguém, nem perseguimos ninguém, tentamos tratar na linha da lei e nada mais que isso. Não me sinto confortável em tratar desse caso da família do presidente”.

Da mesma forma, preferiu a tangente ao ser questionado se os casos de corrupção envolvendo o ministro Onyx Lorenzoni, o laranjal do PSL ou as investigações contra os filhos do presidente contribuíram para sua saída do Ministério da Justiça, em abril deste ano. “Quando ingressei no governo, sendo que fui convidado na transição, não havia nada disso, nada disso havia surgido. Sobre o que surgiu, na competência do Ministério da Justiça, foi feita apuração rigorosa dos fatos, como os laranjas utilizados em campanha. Outros temas ficaram afetos a outras instituições, como o Ministério Público Federal e a Polícia Civil do Rio de Janeiro”.

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