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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro reforça vínculo lavajatista

Vera Magalhães

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Sergio Moro voltou a agir como enxadrista, depois de um ano meio atordoado com a inesperada sucessão de puxadas no tapete que levou de Jair Bolsonaro.

Diante da mais recente delas, quando o presidente ameaçou lhe tirar a segurança pública, o ministro da Justiça primeiro demarcou o limite: fez chegar ao chefe que aguentara calado até ali, mas caso isso se concretizasse, deixaria o governo. Percebendo que pode depender de Bolsonaro, mas que Bolsonaro depende mais dele, dobrou a aposta: foi ao programa Pânico uma semana depois da estrepitosa entrevista ao Roda Viva, se mostrou ainda mais “soltinho” e sorridente, e avançou alguns passos no sentido de admitir uma candidatura ao STF (e de deixar subentendida uma à Presidência, dado o caráter popular do programa).

Nesta terça-feira, 28, apenas um dia depois, fez uma visita ao ex-colega juiz federal Marcelo Bretas, um Moro mais anabolizado do Rio de Janeiro. A ideia é clara: reforçar o vínculo com a Lava Jato, instituição à qual é amplamente associado e que continua contando com apoio majoritário na sociedade, a despeito dos desgastes recentes de imagem e de perda de prerrogativas.

Marcelo Bretas, Sérgio Moro e Maurício Valeixo. Foto: perfil Sérgio Moro no Instagram

Mais: Moro, não por acaso, se fez acompanhar do diretor-geral da Polícia Federal, Mauricio Valeixo, que Bolsonaro ameaçou demitir no passado e que é ligado ao ministro. De novo, não precisa ser gênio para interpretar: Moro não só está próximo da Lava Jato como Bolsonaro que não pense em lhe tirar a PF.