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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Moro vai a Brasília para a exibição de vídeo da reunião

Vera Magalhães

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Quem esperava que Sérgio Moro fosse se resguardar daqui para a frente, depois de seu depoimento à Polícia Federal, pode rever as expectativas. O ex-juiz e ex-ministro da Justiça dá demonstrações de que vai querer acompanhar presencialmente todos os atos relativos ao inquérito aberto a partir de suas declarações quando pediu demissão do governo de Jair Bolsonaro.

Sérgio Moro durante o anúncio de que deixaria o governo

Sérgio Moro durante o anúncio de que deixaria o governo. Foto: Gabriela Biló/Estadão

Tanto é assim que decidiu ir pessoalmente à sessão determinada pelo ministro Celso de Mello para a exibição do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril, requisitado pelo decano, relator do inquérito, a partir de seu depoimento e entregue na sexta-feira pela Advocacia Geral da União, depois de uma série de recursos fracassados.

Moro poderia enviar apenas o advogado, Rodrigo Sánchez Rios, para a exibição do vídeo, mas decidiu estar presente em Brasília, o que terá o peso simbólico de seu retorno à capital federal depois de ter pedido demissão. A sessão será única, e terá também a presença da delegada responsável pelo inquérito, Christiane Corrêa Machado, do representante da Procuradoria Geral da República e de um integrante da própria AGU.

A sessão poderá contar ainda com integrantes da equipe da delegada, o juiz que auxilia Celso de Mello no inquérito e mais representantes da PGR e da AGU. Assim, vai-se ampliando o escopo dos que terão acesso ao vídeo, que, por enquanto, está mantido sob sigilo pelo relator. Para cercar a exibição de cuidados, Celso de Mello reforçou em seu despacho que as pessoas autorizadas a assistir a reunião ministerial estão sujeitas a penas do artigo 325 do Código Penal, que prevê multa ou detenção de seis meses a dois anos para quem “revelar fato de que tem ciência em razão do cargo e que deva permanecer em segredo, ou facilitar-lhe a revelação”.

Como num filme de suspense, em sua decisão Celso de Mello determina que seu chefe de gabinete levará pessoalmente à delegada a mídia lacrada contendo a reunião, em local e horário por eles previamente ajustado. Diz ainda que decidirá, “brevissimamente”, sobre a divulgação total ou parcial da reunião.

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