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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Morumbi e Paraisópolis pedem criação de subprefeitura

Equipe BR Político

Os dois lados da disparidade social entre moradores vizinhos das comunidades de Paraisópolis e Morumbi se reuniram nesta segunda, 9, para falar do futuro da região enquanto espaço de convivência comum. Uma pauta de consenso já antiga é a criação de uma subprefeitura que englobe os dois bairros. “Essa é uma agenda comum (entre Paraisópolis e Morumbi), que une o bairro. Então, vamos defender a criação dessa subprefeitura”, afirmou o líder comunitário de Paraisópolis, Gilson Rodrigues. No domingo passado, 1, nove jovens, de até 23 anos, foram mortos após uma ação policial alcançar o local onde ocorriam festas de rua com 5 mil pessoas ao som de funk, chamados de “pancadões”, para, segundo a polícia, prender dois bandidos que teriam se misturado à multidão.

Comunidade de Paraisópolis Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Hoje, a cidade de São Paulo dispõe de 32 subprefeituras. Cada uma delas tem dotação orçamentária própria e autonomia para despesas operacionais, administrativas e de investimento, além de participação na elaboração da proposta orçamentária da Prefeitura, informa o Estadão. Atualmente, Paraisópolis está dividida entre duas subprefeituras, já que o distrito da Vila Andrade, onde está localizada a maior parte da comunidade, pertence à Subprefeitura do Campo Limpo, na zona sul; enquanto o distrito do Morumbi, à Subprefeitura do Butantã, na zona oeste.

O encontro ocorre após circular pela rede trechos de um documentário de 2015, Entremundo, de Thiago B. Mendonça e Renata Jardim, sobre os cotidianos antagônicos das duas comunidades. No material de 24 minutos, uma das moradoras do Morumbi pergunta por que o Exército não se envolve logo para resolver o problema da insegurança da região. Um outro se indigna porque se trata das mesmas pessoas que recebem “escola de graça, uniforme de graça e Bolsa Família de graça. Tem que haver uma contrapartida”. Também há o que diz que pessoas que moram em favelas “não têm dignidade”.  “Tem que ajudar, mas não morar no Morumbi”.

“Esse vídeo causou bastante revoltada dos moradores de Paraisópolis trazendo uma discussão grande, e a gente sentiu que a situação de ódio aumentou (…) Isso atrapalha porque estamos no mesmo bairro. O que acontece em Paraisópolis também influencia no Morumbi – e vice-versa”, registra Rodrigues.