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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Por que a privatização dos Correios segue emperrada?

Equipe BR Político

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Promessa de campanha do presidente Jair Bolsonaro, ainda não há nem sinal de que a privatização dos Correios possa sair do papel. A bandeira da privatização de estatais e redução do papel do Estado foi defendida por ele e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o primeiro ano de mandato. Entretanto, na terça-feira, 7, o presidente admitiu, na saída do Palácio da Alvorada, que o governo está tendo “dificuldade” para privatizar os Correios e outras empresas públicas. 

De acordo com a economista Elena Landau, que comandou o programa de privatizações durante o governo FHC, a venda da empresa precisa ser feita, mas para isso o governo tem de estar disposto a enfrentar as possíveis pressões contrárias, inerente a todo projeto de desestatização, segundo ela. “Você tira do Estado a responsabilidade de uma empresa que está perdendo a razão de existir. A empresa é ineficiente, tem excesso de funcionários e excesso de endividamento”, afirmou ao BRP

De acordo com a economista, os principais fatores que têm emperrado o prosseguimento do projeto são:

Falta posição incisiva

Segundo Landau, uma posição firme do presidente da República é essencial para que a privatização seja feita. “Toda privatização é difícil, mas primeiro deve ser apresentada uma proposta ao Congresso. Se você ainda não apresentou, não se sabe como será a resistência”. A economista destaca que resistências existem em qualquer projeto de privatização. “Se você não tiver a firmeza do presidente da República, não sai”, disse. 

Monopólio postal

O serviço de entrega de cartas pessoais e comerciais, cartões-postais, malotes, faturas de cartões de crédito, talões de cheques, carnês, cobranças de tributos é um serviço que deve ser prestado pelo Estado. Portanto, segundo a economista, a empresa teria de ser separada em atividades diferentes para que os demais serviços de entrega sejam privatizados. “Você tem cada vez menos o uso de cartas postais no mundo digital e no fundo os Correios hoje servem para entregas de pacotes”, afirma.

Endividamento

De acordo com a economista, o excesso de servidores é um dos causadores do alto endividamento dos Correios. “É preciso resolver essa situação. Mas toda privatização gera um ajuste de servidores”.

A questão dos servidores foi citada por Bolsonaro como um dos principais impasses da privatização. Como você leu no BRP, a pressão da classe é algo que pode desgastar a imagem do presidente, que insistiu no argumento de que os funcionários de estatais não podem “ser jogados para cima” numa eventual venda./ Roberta Vassallo, especial para o BRP

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