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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mourão defende militares por tempo limitado na Amazônia

Equipe BR Político

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Nesta segunda-feira, 11, uma operação das Forças Armadas para combater o desmatamento e focos de queimada na Amazônia Legal deflagrou suas primeiras ações. Batizada de Verde Brasil 2, a operação de garantia de Lei e Ordem (GLO) começa nos Estados do Pará, Rondônia e Mato Grosso com duração inicial até 10 de junho. Nesta tarde, o vice-presidente Hamilton Mourão, que coordena o trabalho, ressaltou a falta de servidores dos órgãos de fiscalização ambiental em coletiva para justificar o emprego dos militares no trabalho. No ano passado, uma operação com o mesmo objetivo, a Verde Brasil, foi deflagrada em agosto, depois da divulgação dos números alarmantes de aumento de queimadas na região. 

O vice-presidente, Hamilton Mourão

O vice-presidente, Hamilton Mourão Foto: Reprodução/TV Brasil

“A capilaridade das Forças Armadas permite o estabelecimento de bases no terreno que facilitem o trabalho de fiscalização e a segurança e proteção dos agentes dos órgãos de fiscalização”, disse Mourão. Questionado sobre se não seriam mais adequadas ações comandadas pelos órgãos ambientais, o vice-presidente rebateu: “Acho que ficou uma informação desencontrada sobre o papel que as Forças Armadas estão tendo. A nossa visão é muito clara: não podemos continuar indefinidamente a empregar as Forças Armadas nesse tipo de atividade. Temos que reconstruir a capacidade do Estado brasileiro de ter elementos de fiscalização e promoção: o Ibama e ICMBio, mas que estão com seus quadros de funcionários reduzidos.”

O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, completou as explicações com uma defesa da atuação do governo na área e crítica ao discurso internacional. “É preciso que se lembre que tudo na Amazônia é grandioso, um dos grandes problemas para a fiscalização na Amazônia são os meios de transporte. Precisamos ter muita disposição para mudar essa visão que o mundo muitas vezes forja da Amazônia para nos colocar como vilões. Se eles estivessem aqui talvez não conseguissem fazer isso, porque não conseguiram impedir que as suas florestas fossem devastadas. E agora querem ensinar a gente a preservar a Amazônia”, afirmou o ministro.

Regularização fundiária

Questionado se a Medida Provisória da Regularização Fundiária, apelidada por ambientalistas de “MP da grilagem”, não aumentaria ainda mais o desmatamento na região, Mourão defendeu a aprovação da medida no Congresso, onde sofre pressão para ser pautada. “Costumo ser um adepto da teoria de que o ótimo é inimigo do bom. Se nós conseguimos chegar à aprovação de uma MP que não resolva definitivamente, mas que pelo menos dê os instrumentos para que se inicie um processo de regularização e consequentemente da questão do zoneamento econômico e ecológico, vamos diminuir os problemas que enfrentamos na Amazônia, ouso dizer, em 80%”, afirmou.