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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Mourão reaparece mais liso que quiabo

Vera Magalhães

A entrevista do vice-presidente Hamilton Mourão à repórter Tânia Monteiro, do Estadão, nesta quarta-feira, mostra que ele sentiu o golpe dos ataques que sofreu das redes bolsonaristas: o general está mais liso que quiabo, evitou contrapor sequer uma opinião sua às ações e falas de Jair Bolsonaro e atribuiu ao “estilo” do presidente recentes interferências em instituições como Receita Federal e Polícia Federal. Ao dizer que está cuidando do seu “quadrado”, Mourão não deixa dúvida de que está escanteado. Afinal, são poucas as atribuições da Vice-Presidência no organograma do Executivo.

Ainda assim, Mourão evita endossar o tal estilo de Bolsonaro. Deixa passar uma certa ironia ao dizer que o presidente jamais vai tecer comentários citando grandes filósofos. E esboça uma opinião de que Bolsonaro deveria ser mais duro no veto à Lei de Abuso de Autoridade do que pede a Câmara, que “admite” abrir mão apenas da questão do uso de algemas. Mas só. Nos temas realmente polêmicos, como a indicação de Eduardo Bolsonaro para a Embaixada em Washington, o general se recolhe. Como se trata de um estrategista, talvez a tática defensiva seja apenas circunstancial.

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