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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Movimento de Dodge causa mal-estar no MPF

Vera Magalhães

Criou mal-estar no Ministério Público Federal a constatação de que Raquel Dodge se movimenta intensamente para ser reconduzida à Procuradoria-Geral da República sem se submeter ao “recall” interno representado pela lista tríplice tirada a partir de eleição direta. Esses movimentos são percebidos na narrativa, levada aos ouvidos de Jair Bolsonaro por padrinhos da recondução de Dodge, de que ela seria mais “previsível” e, portanto, uma escolha “segura” para o presidente. Para os procuradores, essa campanha pressupõe um compromisso tácito por parte dela de fazer um mandato anódino, sem iniciativas para confrontar o Executivo.

Além disso, prevalece internamente a percepção de que, se for reconduzida sem o aval dos pares, Dodge enfrentará um período de ingovernabilidade, pois não terá submetido sua gestão – marcada por atritos entre seu grupo e o do antecessor, Rodrigo Janot – ao escrutínio daqueles que terá de liderar. “O mandato é de dois anos, não de quatro”, diz um procurador regional. / Vera Magalhães