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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

MP contra licenciamento de garimpo canadense no Pará

Equipe BR Político

O canadense Mark Eaton quer ser visto como o responsável pelo maior projeto de mineração de ouro do Brasil. Ele espera instalar seu milionário garimpo na Volta Grande do Xingu, entre Altamira e Senador José Porfírio, no Pará, onde Eike Batista também deu vazão a seu espírito de garimpeiro antes de ser preso. Em dez anos, Eaton pretende acumular uma extração de 73,7 toneladas de ouro da região. “Como ex-corretor da bolsa, sinto-me tão bem-vindo aqui”, revelou um ano atrás o gringo de olhos azuis no meio da selva úmida cercado por moscas gigantes.

Hoje, quem empata seu ambicioso projeto é o Ministério Público do Estado do Pará, que entrou com uma ação civil pública na Justiça contra o Estado do Pará e a empresa que ele controla, a Belo Sun Mineração Ltda, pedindo a suspensão imediata do licenciamento ambiental das atividades da mineradora no município de Senador José Porfírio no Pará, informa o site O Eco.

Eaton diz que soube agora, não quando comprou o terreno, que sua Belo Sun está a poucos quilômetros da hidrelétrica de Belo Monte. Sabe também que há duas terras indígenas na vizinhança, Paquiçamba e Arara da Volta Grande do Xingu. Também já tem conhecimento de que a região é plagada de posseiros, grileiros desconfiados de seu projeto, garimpeiros ressabiados com o poder do canadense e assentados da reforma agrária. Deve, no entanto, alimentar esperanças com o apreço do presidente Jair Bolsonaro pela atividade que ele desempenha. Nesta terça, 1, Bolsonaro disse que “buscará soluções” aos garimpeiros. “Vou ver se hoje dou a resposta a vocês”.

“Além da carga sinérgica a ser suportada pelo rio Xingu, a interferência no meio ambiente provocará consequências tanto a povos indígenas direta e indiretamente afetados como aos povos tradicionais e à população do local em que será instalado o empreendimento”, afirma o MP estadual.

O promotor de Justiça Fabiano Fernandes acrescenta o fato de que a “área de instalação do empreendimento é de dominialidade federal, pois se trata de gleba arrecadada pela União que teria por fim o fomento de atividade na terra para pequenos produtores rurais”.

 

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