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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

MP diz que Bolsonaro endossou ações de Salles que diminuiram fiscalização

Equipe BR Político

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O Ministério Público Federal, na ação em que pediu o afastamento do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, apontou que o presidente Jair Bolsonaro avalizou as medidas tomadas por Salles que embasam a acusação do órgão de improbidade administrativa contra o ministro. Segundo o documento, a pressão de Bolsonaro contribuiu para a redução da fiscalização ambiental. A ação foi apresentada na segunda-feira, 6, e cita o presidente três vezes no documento de 128 páginas assinado por 12 procuradores. 

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles Foto: Susana Vera/Reuters

Como exemplo das medidas, a ação cita a exoneração de servidores do Ibama responsáveis por ações de fiscalização contra o garimpo ilegal, após os fiscais flagrarem um garimpo dentro de terras indígenas. Os servidores queimaram a estrutura montada pelos garimpeiros e as máquinas usadas para a extração ilegal, ação prevista na legislação para este tipo de caso e após o ocorrido, houve uma série de exonerações no órgão ambiental. 

Como evidência da influência de Bolsonaro na decisão, o documento anexa mensagens trocadas pelo presidente e o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro divulgadas pelo próprio presidente na ocasião das acusações sobre interferência na Polícia Federal. A tela exibida por Bolsonaro mostrava uma cobrança feita a Moro relacionada à queima de equipamentos na mesma ação do Ibama que motivou as exonerações. De acordo com a Procuradoria, as exonerações buscavam agradar ao Planalto, que demonstrava incômodo com a operação, tinham “desvio de finalidade” e foram assinadas por Salles com objetivo de “obstaculizar o sucesso das ações de comando e controle” do Ibama contra o garimpo na Amazônia.